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Derrota no STF aprofunda crise e leva Lula a romper com Alcolumbre
Relações rompidas
A histórica e humilhante derrota do Palácio do Planalto nessa quarta-feira, ao tentar, sem sucesso, aprovar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), levou ao rompimento definitivo do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), segundo fontes ligadas à liderança petista.
Articulador da derrota
A reação governista não se deve apenas à rejeição do nome, mas à forma como Alcolumbre conduziu o processo, afirmou, na noite de ontem, um influente petista que atua no Planalto. Aliados de Lula consideram que o senador não apenas omitiu apoio, mas atuou como o principal articulador da derrota, sinalizando ter “50 votos contrários” antes mesmo da sabatina. A leitura é de que Alcolumbre usou o prestígio do cargo para impor uma derrota pessoal ao presidente, visando fortalecer sua própria agenda de poder para além de 2026.
Vendetta
Na noite dessa quarta-feira, o Planalto já desenhava uma ofensiva em duas frentes para minar as bases de sustentação de Alcolumbre: a demissão imediata de apadrinhados do senador em cargos de segundo e terceiro escalão do Governo Federal (principalmente em órgãos do Amapá, sua base) e, ainda, ter Lula atuando pessoalmente nas eleições de outubro para derrotar os candidatos apoiados pelo senador em seu reduto eleitoral. A ideia é enfraquecer o “capital político” de Alcolumbre na base para reduzir sua força de barganha em Brasília.
Impactos
O rompimento ocorre em um momento crítico, há cerca de seis meses das eleições e com pautas de alto impacto social e econômico, especialmente no campo da infraestrutura, aguardando deliberação no Senado. Entre elas, estão a proposta do fim da escala, o Acordo Mercosul-União Europeia (que exigirá ajustes legislativos, os quais podem sofrer atrasos propositais como contra-ataque do Senado). Há também projetos estratégicos do setor de transportes, que correm o risco de enfrentar dificuldades na aprovação de orçamentos e marcos regulatórios.