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Descarbonização da indústria: estudo aponta desafios do Brasil e sugere iniciativas
Mapeamento identificou gargalos para financiamento, principalmente nos setores de aço, cimento, química, alumínio, vidro e papel e celulose
A indústria brasileira enfrenta dificuldades para acessar recursos capazes de financiar a descarbonização em larga escala. É o que apontou o estudo Mapeamento do Ecossistema de Descarbonização Industrial no Brasil, levantamento que identificou os principais gargalos para financiamento climático, principalmente nos segmentos de difícil abatimento, como aço, cimento, química, alumínio, vidro e papel e celulose.
Conforme o documento, não há harmonia entre a elevada demanda da indústria por recursos e a oferta disponível. Não colaboram para o cenário da descarbonização as dificuldades de acesso a fundos nacionais que envolvem instituições financeiras públicas, em especial o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.
Em relação ao financiamento privado, o estudo mostrou que há uma resistência em relação aos altos custos das tecnologias sustentáveis, ausência de garantias, riscos de crédito e incertezas quanto à demanda e ao retorno dos investimentos.
O estudo apontou a concentração setorial do financiamento climático voltada ao agronegócio, e a falta de foco na descarbonização de segmentos alinhados às demandas internas e às exigências internacionais. Além disso, tecnologias utilizadas para a descarbonização industrial, como o hidrogênio verde, ainda apresentam baixa maturidade técnica e custos elevados, o que dificulta sua aplicação. A ausência de mercados consolidados para produtos industriais de baixo carbono aumenta os riscos de investimentos.
Uma das alternativas para mudar esse cenário é mostrar a eficácia de tecnologias adaptadas à realidade nacional, como o uso de carvão vegetal e os biocombustíveis.
“As mudanças do clima afetam todo o planeta, todo o mundo biológico, e o Brasil vai ser o grande protagonista, preservando a Amazônia. Nós vamos ter que trocar todo o querosene dos aviões por biocombustível, SAF, biodiesel com B3, colocando 3% no diesel para descarbonizar, limpar a atmosfera e gerar emprego no país. Era B10, no Conselho Nacional de Política Energética, passamos para B12, depois B14, B15, e no combustível do futuro vai subir, ajudando o planeta”, disse o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Já o senador Esperidião Amin (PP-SC), um dos maiores ativistas da descarbonização dos modais de transporte do Congresso Nacional, citou o caso da indústria madeireira para a transição energética.
“Jogar biomassa para valer como formadora do biocombustível é uma maneira de nós limparmos. Quem conhece a indústria da madeira sabe o que os detritos da produção já fez nos nossos rios, sabe o que que é isso. Hoje, já se faz MDF e outras outras operações para recuperar isso, que era lixo poluente”citou Esperidião Amin.