Energia
Diamante Energia testa biocarvão de casca de coco no Pecém
Projeto de R$ 2,7 milhões prevê mistura do material ao carvão mineral e avalia potencial de redução de emissões
A Diamante Energia iniciou uma nova etapa de um projeto de pesquisa que testa o uso de biocarvão produzido a partir da casca do coco verde como combustível complementar na geração de energia elétrica. Uma carga de 880 quilos do material foi transportada para a usina termelétrica da companhia, localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará, onde será utilizada em testes de combustão misturada ao carvão mineral.
A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece) e conta com recursos do programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Os primeiros testes de combustão na caldeira industrial estão previstos para outubro de 2026.
O projeto tem investimento de R$ 2,7 milhões e duração prevista de 24 meses. O biocarvão utilizado nos testes foi produzido em um laboratório construído com recursos da própria pesquisa.
Mistura com carvão mineral
A etapa atual prevê a formação de uma mistura entre o biocarvão e o carvão mineral utilizado como combustível pela termelétrica. Do material já produzido, 880 quilos de biocarvão foram misturados a 87.120 quilos de carvão mineral no pátio de armazenamento da usina.
Ainda são necessários aproximadamente 520 quilos de biocarvão, que serão produzidos pela Uece, para completar o volume previsto para o teste de combustão na caldeira industrial.
Segundo o engenheiro Diego Rebouças, o material produzido ao longo do ano foi coletado no laboratório da universidade e transportado para a usina, onde passou pela etapa de mistura com o carvão mineral.
“Nossas equipes, em conjunto com pesquisadores da universidade, realizaram o processo de mistura com carvão mineral no pátio de armazenamento em local separado e sinalizado”, afirmou.
Avaliação das emissões
A pesquisa também vai avaliar características do biocarvão que podem favorecer seu uso combinado com o carvão mineral, como o Poder Calorífico Superior (PCS) e o teor de enxofre.
Um dos focos do estudo é avaliar o impacto da substituição parcial do carvão mineral sobre as emissões da operação e o potencial de geração de créditos de carbono. Como o biocarvão é produzido a partir de uma fonte renovável, parte do carbono presente no material é de origem biogênica.
Segundo a Diamante Energia, o uso do biocarvão poderá contribuir para reduzir a participação do combustível fóssil na geração de energia e, consequentemente, o impacto das emissões da operação.
“Ao investir em pesquisa e parceria com a Uece, buscamos não apenas viabilizar tecnicamente o uso do biocarvão, mas também consolidar um caminho concreto para a redução de emissões e a geração de créditos de carbono em nossa operação”, afirmou o presidente da Diamante Energia, Pedro Litsek.
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