Região Norte
Diretor da Agemar diz que o Brasil precisa voar mais e reforça ações no Norte
Em entrevista ao BE News, Manoel Ferreira Neto destacou as obras no Aeroporto de Belém, visando a COP30, em novembro
A aviação civil na região Norte registrou a melhor movimentação para o mês de maio dos últimos onze anos. Foram mais de 972 mil passageiros, um crescimento de quase 11% na comparação com o mesmo período no ano passado, e de 22% em relação a maio de 2019, último ano antes da pandemia. O bom momento tem reflexos dos investimentos no setor realizados na região. Em entrevista ao BE News, o diretor executivo do Grupo Agemar, Manoel Ferreira Neto, destacou alguns desses aportes, voltados à expansão do setor no Norte do país, destacando os preparativos do Aeroporto de Belém (PA) para a COP30.
A expansão da oferta de voos no Aeroporto de Belém, operado há pouco mais de dois anos pela Dix Aeroportos, subsidiária do Grupo Agemar, teve um papel importante nos números positivos. O empreendimento ultrapassou pela primeira vez a marca de 4 milhões de passageiros em um ano, e registrou um crescimento de 58% no fluxo de voos internacionais. “Nós tivemos, em 2023, uma movimentação de pouco mais de 3,7 milhões de passageiros, em 2024, 4,1 milhões. Esperamos, neste ano, chegar a 4,5 milhões. O Brasil precisa voar mais. Isso significa ter capacidade de renda para comprar passagens”, salientou o diretor, que esteve em Santos (SP) na terça-feira (15) e visitou a sede do Grupo Brasil Export.
Em maio, a Agemar anunciou investimentos de R$ 230 milhões para obras nos aeroportos de Belém, Macapá (AP), Fernando de Noronha (PE), e no Ceará, onde a companhia voltou a operar, em caráter emergencial, os aeroportos de Jericoacoara e Aracati, após distrato do contrato entre o Governo do Estado e a Infraero, firmado no fim da gestão anterior da Dix.
Além desse aporte, o Aeroporto de Belém passa pelos preparativos para receber a COP30. O evento acontece em novembro, e vai atrair autoridades de todo o mundo para a capital paraense. Serão mais de 40 mil participantes durante a 30ª edição da conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas.
O empreendimento recebeu investimentos de R$ 470 milhões, voltados à expansão da capacidade e modernização. As obras foram antecipadas, focando na requalificação da área de embarque, pista de pousos e decolagens e terminal de passageiros, com previsão de conclusão para o final de agosto. “São investimentos elevados. Estamos fazendo um mezanino, piso superior, sala VIP, recuperação de pista, novo pátio de estacionamento… Vamos deixar o aeroporto pronto para receber a COP30”, ressaltou.

Diretor do Grupo Agemar, Manoel Ferreira Neto, esteve em Santos e visitou à sede do Grupo Brasil Export. (Foto: Fernando Yokota)
Aeroporto de Noronha
A Agemar também tem participação na gestão do Aeroporto de Fernando de Noronha, que passou por limitações na operação e paralisação nas obras de requalificação feitas pelo Governo de Pernambuco após casos recentes de atolamento de dois aviões no pátio do aeródromo. No início de julho, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) proibiu o aumento no número de voos e limitou a operação a apenas uma aeronave por vez.
Segundo o diretor do Grupo Agemar, mesmo com a responsabilidade das obras sendo do poder público, a Dix tem atuado no controle das operações durante o período. “A gente fez, junto à Anac, a flexibilização do horário dos voos. Não houve redução de voos comerciais. Dentro dessa flexibilidade, o estado está cumprindo a parte dele. Já começou a fazer intervenção na área de estacionamento para completar essa obra, que já era para ter sido terminada desde janeiro”, pontuou.
O aeroporto também recebeu um plano de investimentos com aporte de R$ 35 milhões para modernização e construção de um novo terminal. “Nós tivemos que adquirir um navio pra atender a construção da obra no prazo de um ano. Já queremos entregá-lo em novembro de 2026. Vamos sair de um terminal de baixo nível para um de 3 mil metros quadrados. Vamos dar à ilha um equipamento compatível àquilo que ela oferece”, explicou o diretor.