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Discurso de Gabriel Galípolo reforça cautela do BC diante de cenário global instável
Cautela e serenidade
O discurso proferido por Gabriel Galípolo na Fundação Getulio Vargas nesta segunda-feira, dia 6, consolidou sua postura como um presidente do Banco Central pautado pela extrema prudência diante de um cenário global instável. Ao adotar o binômio “cautela e serenidade” como eixo central de sua fala, Galípolo sinalizou ao mercado financeiro que a autoridade monetária brasileira optará por uma condução mais rígida da política de juros, justificando a necessidade de vigilância em função da guerra no Irã e do consequente novo choque nos preços do petróleo.
Contra incertezas
O presidente da instituição enfatizou que essa cautela estratégica é fundamental para processar as incertezas antes de qualquer tomada de decisão, classificando o conflito atual entre Estados Unidos, Israel e Irã como o quarto grande choque de oferta enfrentado pelo país desde 2020. Segundo sua análise, o fato de o Banco Central não ter sido agressivo nos cortes da taxa Selic ao longo de 2025 garantiu uma margem de segurança importante para absorver a volatilidade atual sem comprometer a estabilidade do Real.
Combate à inflação
A preocupação com a inflação permeou toda a apresentação, especialmente com o registro de que as expectativas do mercado para 2026 já se aproximam do teto da meta de 4,5%. Galípolo destacou que o mercado de trabalho segue aquecido, o que pressiona o custo dos serviços e impede reduções mais acentuadas nos juros no curto prazo. Ele ressaltou ainda que a sociedade brasileira desenvolveu uma baixa tolerância a aumentos de preços, o que fortalece o papel institucional do Banco Central como guardião do poder de compra, mesmo que isso signifique manter taxas de juros em patamares elevados por um período mais prolongado.
Contagem regressiva
O mundo amanhece em contagem regressiva nesta terça-feira, dia 7, com os mercados financeiros operando em estado de paralisia e extrema aversão ao risco. O foco absoluto dos investidores está no ultimato do presidente Donald Trump, que estipulou o prazo das 21h, no horário de Brasília, para que o Irã encerre o bloqueio ao Estreito de Ormuz. A ameaça explícita de ataques a infraestruturas vitais iranianas caso a rota não seja liberada elevou a tensão geopolítica ao seu nível mais crítico desde o início das hostilidades, há três semanas.
Nervosismo global
A relevância estratégica do Estreito de Ormuz justifica o nervosismo global, uma vez que o fechamento dessa passagem estrangula o fluxo de cerca de 20% do petróleo mundial, além de volumes massivos de gás natural liquefeito.