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Do esporte à mineração, uma trajetória de sucesso

Atualizado em: 19 de June de 2026 às 10:59
Ivani Cardoso Enviar e-mail para o Autor

Desde menino, o paranaense Emerson Souza sonhava em ser jornalista esportivo. Correu atrás do objetivo, trabalhou em rádio e televisão, cobriu grandes eventos e assessorou importantes clubes de futebol. Mas a vida reservou novos caminhos.

Hoje, ele ocupa o cargo de vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, empresa anglo-brasileira que desenvolve na Bahia o projeto Ferro Verde, uma iniciativa inovadora que unirá mineração, energia renovável e redução de emissões na siderurgia global. Com mais de duas décadas de experiência em comunicação corporativa e relações institucionais, Emerson ingressou na companhia como diretor de Comunicação e Relações Públicas.

Atualmente, lidera o fortalecimento do posicionamento estratégico da empresa em um setor que busca conciliar desenvolvimento econômico, sustentabilidade e transformação social. Continua apaixonado por esportes, é corintiano, mas mantém a paixão pelo Londrina Esporte Clube. Ele faz parte do Conselho de Minas e Energia do Grupo Brasil Export. Confira a entrevista:

Como entrou o jornalismo na sua vida?

Eu via no jornalismo a possibilidade de estar próximo ao esporte. Joguei futsal até os 16 anos, disputei jogos escolares e campeonatos estaduais, mas resolvi seguir o jornalismo. Fiz a Universidade Estadual de Londrina, mas comecei a trabalhar no jornalismo esportivo antes de iniciar o curso, ajudando em programas esportivos de rádio. Passei a locutor e depois fui para a TV fazendo narração de jogos. Tive a primeira chance de ir para a Copa do Mundo em 2006, na Alemanha, para a Rádio Brasil Sul e como colunista de um jornal de Goiás.

Quando mudou de área?

Em 2007 eu coloquei a mochila nas costas e resolvi me mudar para São Paulo, meu desejo era cobrir os jogos dos grandes times. No meio do caminho acabei descobrindo a assessoria de imprensa, o outro lado da profissão e do qual eu tinha muito preconceito, uma grande besteira. Virei sócio de um amigo em uma agência de comunicação focada no esporte, onde fiquei por 13 anos. Durante esse tempo fui assessor de imprensa de mais de 20 times de futebol, fui vivendo e gostando do lado político do esporte. Aos poucos fui percebendo que queria sair da sociedade e do jornalismo, que ficou distante do que eu vivi.

E acabou voltando para o jornalismo?

Prestei uma assessoria de comunicação para a Brazil Iron a pedido de um amigo do meu sócio e parceiro. Aos poucos, fui identificando que a empresa precisava solidificar a questão do relacionamento dos stakeholders. Fiz um diagnóstico para o CEO e para outros membros do board exatamente quando a empresa estava passando por uma transformação de mentalidade, querendo mudar a comunicação e o rumo de relacionamentos. Eu assumi primeiro a vice-presidência de relações institucionais e comecei a fazer o que eu nunca tinha feito na vida: relações governamentais.

E como se saiu?

Não sabia nem por onde começar, mas em pouco tempo eu me apaixonei por essa área e pelo universo da mineração, que traz a possibilidade de transformar a vida de milhares de pessoas. Percebo que fui fazendo uma transição de forma natural. Gosto de aprender a conviver com os diferentes, de abrir mão de certos pontos de vista para criar um objetivo maior.

Pode falar sobre o projeto Ferro Verde?

A empresa foi criada em 2011 especificamente para esse projeto. Não é uma empresa de mineração que já existia em outro país e que veio para o Brasil. Os investidores europeus pesquisaram e encontraram aqui uma boa oportunidade de investimento e identificaram a mineração como um caminho interessante. É um projeto pioneiro e de alto impacto para a região, sou capaz de apostar que não tem nenhum outro no mundo dessa forma integrada. E justamente por ser novo é complexo, inclusive para os órgãos licenciadores do Brasil. A previsão de implementação total é para 2030, é uma estrutura grande que envolve muitas etapas. Há situações alheias à nossa vontade e que não temos controle, mas por enquanto estamos dentro do cronograma.

O que representa para o Estado?

A empresa pretende investir US$ 5,7 bilhões com a expectativa de produção de até 15 milhões de toneladas/ano de ferro briquetado a quente, começando com uma capacidade de 5 milhões de toneladas/ano até 2030. Na Bahia, as condições são particularmente favoráveis. O estado reúne energia limpa e renovável em abundância e minério de ferro de alta qualidade. É uma combinação que faz diferença quando o tema é competitividade em baixo carbono.

Quais os benefícios?

Vai transformar radicalmente a Bahia também pelo impacto da receita tributária nas regiões onde vamos atuar, e para o Estado como um todo, vai ser um divisor de águas. Temos feito um trabalho focado com as comunidades e posso dizer que temos o apoio majoritário. O desejo que o projeto aconteça é cada vez maior. Claro que um projeto dessa magnitude sempre gera, sobretudo no começo, uma insegurança, até pela falta de informação que é natural nesse início. Por isso ampliamos a comunicação, temos feito várias reuniões envolvendo as comunidades e os líderes. Ao longo do tempo a adesão tem sido cada vez maior. Com a meta de promover o diálogo com as comunidades locais e o poder público a Brazil Iron criou em 2022 a Comissão de Acompanhamento do Empreendimento (CAE) e instalou aparelhos de monitoramento de ruídos e qualidade do ar nas localidades próximas à área das futuras operações.

E como é a preocupação com o meio ambiente?

A Brazil Iron estabelece seu compromisso com a sustentabilidade e o desenvolvimento local desde a fase pré-operacional. Mesmo antes de iniciar suas atividades, a empresa formalizou 17 projetos ESG (Ambientais, Sociais e de Governança) apresentados no Estudo de Impacto Ambiental (EIA). Esses planos demonstram uma estratégia robusta para garantir que a futura operação seja conduzida de forma responsável. Essas ações de monitoramento preventivo e controle, somadas à tecnologia dos polímeros, reforçam o papel da Brazil Iron como uma empresa que integra a gestão ambiental proativa e a responsabilidade social em sua futura operação.

A mineração é um bom negócio?

Estou há pouco tempo nessa área e entendendo melhor agora, mas a mineração sempre foi um setor muito low profile no relacionamento com todos os stakeholders. Quando o setor que era muito desconhecido passou por aquelas tristes tragédias no passado, quem não tinha uma imagem formada ficou com a imagem do momento. E a que se tinha antes era a imagem de garimpo, Serra Pelada etc. Depois dessas dificuldades, o IBRAM – Mineração do Brasil, instituto que reúne as grandes mineradoras do país, identificou a necessidade de criar ações para explicar o lado positivo, o quanto a mineração está presente em nosso dia a dia e o potencial de desenvolvimento. E quanto o mundo descobre que precisa de minerais críticos estratégicos para a transição energética e a China resolve não exportar mais, o tema veio à baila para a discussão da sociedade civil.

Quais os maiores desafios do momento?

São muitos e ainda há um longo caminho a ser percorrido para essa transição. Temos dificuldades de comunicação com a área ambiental, que ainda tem um entendimento distante dos efeitos positivos que a mineração pode causar, mas isso o diálogo resolve. A mineração depende mais dos órgãos de controle do que outros setores. Esse é um gargalo, porque os próprios órgãos têm dificuldades para fazer a avaliação de grandes projetos.

Não é incoerente?

Sim. A Agência Nacional de Mineração passa frequentemente por contingências de orçamento, e sem ela funcionando a toda velocidade não há desenvolvimento dos projetos. Então há um contrassenso: o mundo inteiro discutindo e vindo para o Brasil em busca de minérios críticos estratégicos, o Governo querendo aproveitar essa oportunidade para desenvolver a mineração no país e falta estrutura para agilizar a fiscalização e liberação dos empreendimentos.

E como os investidores encaram esses desafios?

Eles têm dificuldades para entender. Minha função na empresa, entre outras coisas, é traduzir o que é o ambiente de negócios político regulatório institucional brasileiro para investidores estrangeiros, é muito distante da cultura deles e do modelo de desenvolvimento de negócio que eles têm. São muitos desafios, mas nós enquanto país não podemos perder essa oportunidade.

O jornalismo esportivo ajudou para este novo trabalho?

Sim, muito. O futebol tem um pouco disso. Eu vivi o ambiente do Clube dos 13 uma associação que congraçava os maiores clubes de futebol do Brasil, e todos tinham que deixar de lado as diferenças para juntos conseguirem um bem maior que era se valorizar, internacionalizar suas marcas ou conseguir um contrato de televisão melhor. A união e a integração são as melhores ferramentas.

Você está morando na Bahia?

Hoje eu continuo morando em São Paulo, mas viajo quase toda semana. Devido ao tamanho do projeto meu tempo tem sido cada vez mais escasso. O que sobra eu guardo para ficar com minha esposa e meus filhos pequenos, de dois e seis anos. Sei que sentem a minha falta e eu mais ainda a deles. Gosto de jogar tênis quando consigo, não é só um esporte físico, é mental também. Hoje assisto mais tênis e Fórmula 1, essa Copa vai ser muito estranha porque pela primeira vez não estou acompanhando direto.

E o Brasil, leva?

Infelizmente acho que não, embora o futebol traga surpresas. Na Copa passada a Argentina nem de perto era a melhor seleção e venceu. Se eu fosse apostar diria que França e Espanha são as favoritas.

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