Brasil Export
Dragagem de hidrovias e navegação interior estarão na pauta no Sul Export
Evento em Porto Alegre reúne lideranças para debater soluções logísticas após a maior catástrofe climática da história do RS
As obras de dragagem nas hidrovias gaúchas, incluindo os canais de acesso aos portos de Rio Grande e Porto Alegre, devem retirar cerca de 11 milhões de metros cúbicos de sedimentos, que se acumularam por causa das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024. O estado investe, ao todo, R$ 1 bilhão nos serviços, que são realizados em mais de 320 quilômetros de hidrovias interiores, além de cerca de 40 quilômetros de canais na área portuária.
O tema será debatido durante o Sul Export 2025, que acontece nos dias 28 e 29 de abril, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre. O evento faz parte do calendário do maior espaço de discussão permanente sobre logística, infraestrutura e transportes do país, organizado pelo Grupo Brasil Export.
“As enchentes no Rio Grande do Sul evidenciam a urgência de repensarmos a infraestrutura logística da região. A navegação interior pode e deve ser uma alternativa estratégica e resiliente. No contexto de recuperação e reconstrução, é fundamental debater o papel das hidrovias não apenas como modal de transporte eficiente e sustentável, mas como vetor de desenvolvimento regional e resposta a desastres climáticos”, defende José Rebelo III, presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (ABANI).

Os trabalhos de dragagem nas hidrovias começaram em novembro do ano passado no Canal de Itapuã, em Viamão, onde três navios encalharam por falta de profundidade. Foto: Divulgação/Portos RS
Segundo ele, diversas operações aquaviárias e portuárias seguem limitadas ou mesmo interrompidas até que as obras emergenciais sejam concluídas. “Investir na modernização dos portos fluviais, na dragagem dos rios e na integração com outros modais são prioridades para garantir segurança, agilidade e redução de custos logísticos. É preciso garantir, em qualquer ocasião, a navegabilidade por todo o ano, atendendo às demandas do setor produtivo e da sociedade. Precisamos colocar a navegação interior no centro das políticas públicas e dos investimentos estruturantes”, reforça.
No caso gaúcho, a resposta rápida à catástrofe foi possível porque os procedimentos já estavam com licenciamento e impacto ambiental avaliados, por serem processos de manejo que acontecem regularmente, como os trabalhos de batimetria e dragagem. Além disso, a criação do Fundo Rio Grande, o Funrigs, permitiu a liberação de verbas com mais agilidade.
“Ter feito o projeto de dragagem e aprovado, via Funrigs, uma verba de R$ 731 milhões, e estar com essa obra sendo executada traz para toda a sociedade gaúcha e toda a comunidade portuária a perspectiva de que, apesar de tudo que aconteceu, estamos trabalhando fortemente para a recuperação de toda a atividade econômica do nosso estado”, avalia o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger.
Lotes
Ele explica que as obras foram divididas em lotes para, assim, haver tempo de licitar as execuções sem parar os trabalhos. “Com o Canal de Itapuã concluído, outros quatro canais estão em processo de dragagem. Enquanto isso, é realizada a licitação para outros quatro canais e, assim por diante, até fechar os 22 canais que serão desassoreados para a recuperação plena do canal de acesso ao Porto de Rio Grande e para a navegação interior de toda a hidrovia gaúcha”, conta.
Os trabalhos de dragagem nas hidrovias começaram em novembro do ano passado no Canal de Itapuã, em Viamão, onde três navios encalharam por falta de profundidade. Até junho deste ano, os serviços devem ser concluídos em outros quatro canais essenciais da hidrovia gaúcha: São Gonçalo (Pelotas), Leitão, Pedras Brancas e Furadinho (Região Metropolitana).
No canal de acesso ao Porto do Rio Grande um contrato continuado já existente permitiu que a dragagem de emergência começasse em julho de 2024. Foram R$ 21.5 milhões investidos para a retirada de 593 mil metros cúbicos de sedimentos. Após a conclusão da primeira etapa de dragagem de manutenção o calado do trecho ficou em 12,80 metros. Em junho, o calado chegou a um mínimo de 11,9 metros. Antes das chuvas, a profundidade era de 14,2 metros.
O Sul Export 2025 terá transmissão ao vivo e gratuita pelo canal da TV BE News no YouTube (@tv_benews).