Bahia Export
Economia de baixo carbono abre novas oportunidades na Bahia
Empresários e gestores veem oportunidade de reposicionar o estado com projetos de energia limpa, indústria verde e novos instrumentos de política industrial
A Bahia busca recuperar espaço econômico e atrair novos investimentos com foco na transição energética e na economia de baixo carbono. O tema pautou o painel sobre investimentos e expansão da indústria no Bahia Export, em Salvador, onde empresários e gestores defenderam que a competitividade do estado depende de sustentabilidade, logística e qualificação profissional.
O vice-presidente de ESG da Acelen, Marcelo Lyra, destacou que a companhia já destinou R$ 3 bilhões à refinaria de Mataripe e prepara um novo aporte de US$ 3 bilhões em combustíveis renováveis, com início de operação em 2028. “Estamos falando de diesel verde e combustível sustentável de aviação. A eficiência logística será decisiva para garantir competitividade”, disse.
Para o diretor-executivo da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Vladson Menezes, já existe uma agenda concreta de baixo carbono no estado, com projetos em mineração verde, etanol de milho e fontes renováveis. Ele alertou, no entanto, para a necessidade de construir novos mecanismos de política industrial diante do fim dos incentivos fiscais em 2029. “Temos que remover obstáculos e criar condições para a competitividade”, afirmou.
A sustentabilidade também foi associada à logística pelo CEO da Veracel, Caio Zanardo. “Mais de 50% do custo de uma celulose hoje está ligado ao transporte”, disse, ao defender soluções para reduzir distâncias e emissões. O executivo citou iniciativas em crédito de carbono e recuperação ambiental, mas chamou atenção para o déficit de renovação no transporte rodoviário. “Apenas 4% dos motoristas têm menos de 30 anos. É preciso integrar empresas e sistema educacional”, reforçou.
Na visão da secretária de Desenvolvimento Econômico de Camaçari, Adriana Marcele, a preparação da mão de obra é fator decisivo para consolidar novos investimentos. Ela lembrou iniciativas como o IPTU Verde e programas de capacitação voltados a jovens em busca do primeiro emprego. “A vaga existe, mas não temos pessoas para assumir com assertividade”, afirmou.
O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Roberto Oliva, trouxe uma perspectiva histórica ao debate, lembrando que a Bahia já respondeu por quase 65% do PIB nordestino, participação hoje abaixo de 30%. Para ele, o desafio central é superar gargalos estruturais. “Sem ligar a produção à saída portuária, a atratividade diminui e os outros estados ganham vantagem”, disse, defendendo avanços em parcerias público-privadas e maior diálogo entre governo e iniciativa privada.