Portugal
Embraer ganha aval para construir fábrica em Portugal
Planta estará preparada para produzir os aviões A-29N Super Tucano já adaptados às regras da OTAN. Conselho de Ministros considera a unidade fabril em Beja, no Alentejo, de interesse nacional
A brasileira Embraer, que detém o controle acionário da portuguesa OGMA, recebeu o sinal mais importante que esperava para dar início à fábrica que produzirá os aviões A-29N Super Tucano em Beja, Alentejo, Sul de Portugal. Na quinta-feira, 20 de agosto, o Conselho de Ministros do país europeu reconheceu a instalação da unidade para a montagem final das aeronaves como de interesse público nacional.
Ainda não se sabe o valor dos investimentos totais necessários para tirar o projeto do papel, mas estudos preliminares realizados tanto pela Embraer quanto pelo governo português apontam que o empreendimento poderá criar pelo menos 300 empregos diretos nas linhas de montagem. Além disso, a expectativa é de que a fábrica atraia uma cadeia de fornecedores, que tenderão a ampliar a oferta de trabalho na região, com salários acima da média paga em Portugal, devido à especialização exigida.
A Embraer, com a unidade produtiva de Beja, quer transformar a sua presença em Portugal em uma plataforma de exportação do A-29N, usufruindo das regras locais para abastecer países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O modelo A-29N Super Tucano já sairá da fábrica adaptado às necessidades da organização. Portugal, por sinal, já se antecipou à construção da planta no Alentejo e encomendou 12 aviões por 200 milhões de euros, dos quais cinco já foram entregues.
Ao assinar a Carta de Interesse para a construção do parque produtivo da Embraer, em dezembro de 2025, o ministro da Defesa de Portugal, Nuno Melo, assinalou que o país estava dando um passo fundamental para se tornar referência mundial na indústria aeroespacial. A empresa brasileira, inclusive, já opera em Alverca, nas estruturas da OGMA, onde desenvolve programas importantes, como os ligados ao cargueiro militar KC-390 Millennium.
Retorno econômico
A empresa brasileira — hoje, a terceira fabricante de aviões do mundo, que, no futuro, poderá concorrer diretamente com a Boeing e a Airbus — está investindo cada vez mais no mercado de defesa aérea. E a OTAN é um dos clientes preferenciais, uma vez que a instituição tem optado por aviões mais baratos, mas com elevado desempenho, complementares aos caças mais avançados.
À época da assinatura da Carta de Interesse para a instalação da Fábrica da Embraer no Alentejo, o ministro da Defesa afirmou que, com A-29N, Portugal ganhou nova capacidade de ataque aéreo ao solo, com provas dadas, para apoio às Forças Nacionais destacadas. “Mas falamos também de novos cenários. O Super Tucano oferece a possibilidade de desempenhar missões de luta antidrone, comprovando a flexibilidade da aeronave escolhida pela Força Aérea”, acrescentou.
Na mesma ocasião, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, general João Cartaxo Alves, enfatizou que a Força Aérea portuguesa se afirma como referência entre forças congêneres, ao operar o primeiro A-29N Super Tucano com configuração para a OTAN, “garantindo a Portugal uma posição de vantagem estratégica e retorno para a economia nacional”.
CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior emendou que uma “linha de montagem em Portugal abre caminho para o desenvolvimento de novos negócios e uma cooperação mais ampla com a indústria de portuguesa defesa”. Com o aval dado pelo Conselho de Ministros, a fábrica em Beja poderá avançar como questões administrativas e de infraestrutura necessárias para entrar em operação.
O A-29N Super Tucano, segundo a Embraer, é uma a aeronave multimissão mais eficaz em sua categoria, equipada com tecnologia de ponta para identificação precisa de alvos, sistemas de armas e um conjunto abrangente de comunicações. A aeronave é capaz de operar em pistas não pavimentadas, em ambientes austeros e com pouca infraestrutura, além de ter custos de manutenção reduzidos.
Esta reportagem integra uma série de matérias do jornal Público, de sua editoria Público Brasil, publicado pela Rede BE News, a partir da parceria firmada entre os dois veículos. São reportagens destacando as novidades e os desafios dos imigrantes brasileiros em terras lusitanas ou, nas palavras da equipe do Público Brasil, “histórias e notícias para a comunidade brasileira que vive ou quer viver em Portugal”. A matéria original pode ser acessada por este link.