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Sudeste Export

Empresas apresentam avanços e desafios para descarbonizar setor de transportes

Atualizado em: 22 de August de 2026 às 9:52
Vanessa Pimentel Enviar e-mail para o Autor

Painel no Sudeste Export mostrou iniciativas envolvendo eletrificação de frotas, biocombustíveis, equipamentos portuários e novas tecnologias para reduzir emissões

Empresas de rodovias, ferrovias, portos e mineração apresentaram projetos de descarbonização e transição energética durante o painel “InfraESG | Descarbonização e transição energética no setor de transportes”, realizado no último dia 13, no Fórum Sudeste Export, em Vitória (ES). As discussões mostraram avanços na adoção de tecnologias de menor emissão, mas também expuseram desafios relacionados à infraestrutura, custos e disponibilidade de combustíveis.

O painel foi moderado por Núria Bianco, diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, e teve a participação de Cynthia Ruas, superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), além de representantes da Vale, Motiva, EcoRodovias e Log-In.

Na Motiva, a estratégia de sustentabilidade está vinculada às metas de negócio. A empresa estabeleceu compromissos públicos de redução de emissões e busca alcançar a neutralidade de carbono em 2035. Segundo Juliana Maria da Silva, diretora de Sustentabilidade da companhia, a agenda também está relacionada à remuneração variável dos colaboradores.

Entre as ações estão a eletrificação de veículos da frota rodoviária que podem receber esse tipo de tecnologia e a ampliação do uso de biocombustíveis nos equipamentos que ainda não podem ser eletrificados. No segmento ferroviário, a empresa também trabalha para reduzir o impacto ambiental dos sistemas de climatização dos trens, com a adoção de gases refrigerantes de menor potencial de aquecimento global.

Gargalos

A EcoRodovias apresentou os resultados de um projeto-piloto realizado durante um ano com quatro veículos da concessionária Ecovias Noroeste, no interior paulista, utilizando B100, combustível composto integralmente por biodiesel.

De acordo com Monica Jaén, diretora de Sustentabilidade do Grupo EcoRodovias, foram testados um guincho pesado, dois veículos leves e um caminhão-pipa. Os veículos alcançaram 98% de disponibilidade operacional, acima da meta de 90%, e o projeto registrou redução de cerca de 90% nas emissões de gases de efeito estufa.

Apesar dos resultados, a empresa identificou dificuldades para ampliar a solução para toda a frota. Um dos principais obstáculos é a infraestrutura necessária para abastecimento. A expansão exigiria a instalação de diversos tanques ou a utilização de veículos específicos para levar o combustível aos diferentes pontos da malha.

O custo do biodiesel, superior ao do diesel convencional, também é apontado como um entrave. A EcoRodovias, porém, pretende realizar um novo teste no Araguaia para avaliar se as condições locais podem facilitar a adoção do combustível.

No Terminal de Vila Velha (TVV), da Log-In, os investimentos em tecnologias de menor emissão também avançaram. Segundo Rafael D’Assunção, diretor de Atendimento, Experiência do Cliente e Inovação, o terminal investiu R$ 350 milhões desde 2021 em tecnologias voltadas à eficiência e à redução do uso de combustíveis fósseis.

Entre as iniciativas estão novos portêineres totalmente eletrificados e com operação remota.O terminal realiza ainda testes com reach stackers totalmente elétricas. A estratégia, segundo D’Assunção, é promover gradualmente a transição energética dos equipamentos utilizados na operação portuária.

Representante da Vale no painel, Daniella Barros destacou o desenvolvimento do briquete de minério de ferro como uma das iniciativas da companhia para contribuir com a descarbonização da produção de aço.

O produto é produzido pela aglomeração do minério em temperaturas mais baixas, eliminando etapas que demandam energia e água, como a sinterização. Segundo a empresa, o briquete pode reduzir em até 10% as emissões de CO₂ em comparação com processos tradicionais.

A primeira planta foi inaugurada em 2023, e a expectativa é que a produção alcance 6 milhões de toneladas por ano.

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