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Etanol de milho dispara e desafia setor a equilibrar oferta e demanda

1 de July de 2025 às 12:30
Gustavo Zanaroli Enviar e-mail para o Autor

Produção aumentou 31% na última safra e pode dobrar nos próximos anos com novos investimentos e plantas em construção

O Brasil deu um dos grandes passos para impulsionar os biocombustíveis, ao aumentar de 27,5% para 30% a mistura de etanol na gasolina. Mas se a medida, que começa a valer em agosto, não vai ser suficiente para aumentar a produção de etanol à base de cana-de-açúcar, por outro lado, vai alavancar ainda mais os números do etanol de milho.

O crescimento na produção desse biocombustível é cada vez maior. Na última safra, o aumento foi de 31%. Foram produzidos mais de 8 bilhões de litros de etanol de milho. Para a próxima safra, a previsão é passar de 10 bilhões. Nos últimos dez anos, a produção se multiplicou em dez vezes.

“O ambiente é bom, perfeito, ainda mais por ser uma cultura de segunda safra, ou seja, integrada à soja. Então não é opção de plantio, é uma integração de culturas, independente do valor de mercado ou não. Ela existe. Então você tem essa garantia desta oferta da biomassa da matéria-prima”, disse o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco.

Hoje o Brasil tem 25 biorrefinarias de etanol de milho. A maior parte no Centro-Oeste. Onze estão no Mato Grosso. Sete em Goiás. Três no Mato Grosso do Sul. São Paulo, Paraná, Maranhão e Alagoas têm uma cada.

O número de biorrefinarias de milho ainda é modesto na comparação com as de cana-de-açúcar. Elas representam mais de 90% das usinas do país, somando etanol e açúcar. Mas outras 16 biorrefinarias de milho receberam autorização para construção no Brasil. Doze já estão em obras.

“Você tem aí uma projeção desses R$ 40 bilhões de investimentos para os próximos anos, onde a gente pode dobrar essa produção, chegando a mais de 20 bilhões de litros.

O grande desafio é calcular a curva entre a capacidade de crescimento da produção e a demanda. Nós não podemos errar esse time, porque nós não podemos ter mais produção do que demanda. Você colapsa o setor ou desvaloriza o produto”, completou Nolasco.

A produção de milho no Brasil cresce, e para este ano, a projeção da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec) é de 128,2 milhões de toneladas. Se confirmada, será a segunda maior safra da história, com aumento de 11% na comparação com o ano passado. Enquanto isso, a produtividade média da cana na última safra caiu 9%.

“O etanol de milho tem produção contínua o ano todo. Isso mitigou o efeito da crise da entressafra da cana-de-açúcar. O setor de milho trouxe uma oferta linear, beneficiando inclusive o consumidor, que tem o produto disponível o ano todo. Você não tem mais grandes variações de preço. Aí ele também trouxe a oportunidade para essas usinas de cana-de-açúcar no período da entressafra, produzir etanol de milho com um investimento bem menor. Porque aproveita a área de geração de vapor, energia, caldeira”, concluiu o presidente da Unem.

 

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TAGS Biocombustíveis etanol de milho investimentos
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