Mineração
Executivos veem Brasil competitivo para ampliar espaço na mineração
Participantes de painel na Exposibram destacam vantagens geológicas, demanda por cobre e ouro e necessidade de investimentos, tecnologia e maior diálogo com a sociedade
O Brasil reúne condições para ampliar sua participação na mineração mundial, apesar dos desafios relacionados a custos, investimentos e ao longo prazo necessário para colocar novos projetos em operação. A avaliação foi compartilhada por executivos do setor durante painel realizado na terça-feira (25), na Exposibram, em Belo Horizonte.
O debate reuniu Thiago Toscano, CEO da Itaminas; Carlos Mello, CEO da CSN Mineração; Antonio Pereira, diretor de operações do Salobo, da Vale Metais Básicos; e Rodrigo Gomides, presidente da Kinross Brasil. A moderação foi de Ismael Daoud, gerente de vendas para a América Latina da Wood Mackenzie.
Os participantes destacaram que a posição geológica brasileira oferece vantagens competitivas, embora o desenvolvimento de uma mina possa levar até 15 anos entre as etapas de exploração e início da produção.
Para Mello, a transição para uma economia de baixo carbono abre oportunidades para o Brasil. “Mesmo com desafios globais, o Brasil segue sim sendo competitivo. A gente se vê como protagonista desse processo”, afirmou.
O executivo ressaltou que a mineração exige volumes elevados de capital para aquisição de equipamentos, renovação de frotas e incorporação de novas tecnologias. Segundo ele, avanços tecnológicos também têm ampliado as possibilidades de reaproveitamento de materiais antes considerados estéreis, permitindo elevar a eficiência da produção.
Toscano afirmou que a competitividade está diretamente relacionada aos custos e defendeu maior investimento das mineradoras em reputação e comunicação com a sociedade. Segundo ele, o setor precisa ampliar o diálogo com as comunidades e melhorar a percepção pública sobre a atividade mineral.
O presidente da Kinross Brasil, Rodrigo Gomides, destacou que a demanda por ouro permanece elevada, enquanto parte relevante das reservas brasileiras ainda não é conhecida ou explorada. Para ele, o setor também precisa continuar avançando na construção de confiança com a sociedade.
“O Brasil é um país consolidado frente a outros players globais. Temos que continuar melhorando”, disse.
O cobre também foi apontado como uma das commodities com perspectivas de expansão diante do crescimento da demanda e de uma oferta ainda limitada. Durante o painel, foi citado que a Vale pretende elevar sua produção anual do metal dos atuais cerca de 330 mil para mais de 700 mil toneladas em dez anos.
Os executivos também defenderam maior cooperação entre empresas e fornecedores, inclusive no desenvolvimento de tecnologias, inteligência artificial e novos processos produtivos, além da formação de mão de obra para acompanhar a expansão prevista para o setor.