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Ferrogrão não deve sair neste mandato
O Governo Federal prevê que a Ferrogrão, ferrovia da região da Amazônia que ligará o Mato Grosso ao Pará, não deve ter suas obras iniciadas no atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o Ministério dos Transportes, a perspectiva é fazer o leilão até o fim de 2026, mas o projeto não depende apenas da pasta. Já a secretaria do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), da Casa Civil, acredita que a licitação deve ficar para o próximo ciclo.
De acordo com Marcus Cavalcanti, secretário especial do PPI, a Ferrogrão é um empreendimento de “longo prazo e grandes investimentos” e o Governo também trabalha em outras concessões ferroviárias, como a Fico (Ferrovia do Centro-Oeste) e a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). “Está no Novo PAC a conclusão dos estudos [da Ferrogrão]. Tem a alternativa de mudança de traçado. Mas eu acho que a gente não licita nesse ciclo”, diz.
Cavalcanti explica que o Governo está colocando esses outros projetos ferroviários na frente para correr. “Não adianta eu querer botar no pipeline, porque não tem nem player [interessado], não tem nem financiamento”, diz. E explicou que seu maior objetivo é concluir os estudos da Ferrogrão neste mandato, deixando a decisão de execução para o seguinte.
A construção da Ferrogrão deve atrair investimentos na ordem de R$ 100 bilhões, segundo dados do Ministério dos Transportes. Com 933 quilômetros previstos para interligar Sinop (MT) a Miritituba (PA), levando a carga do agronegócio para os portos da região Norte do país, é o projeto que tem enfrentado maior dificuldade de licenciamento ambiental, por avançar em território amazônico.
Crescimento na fronteira
O porto seco de Dionísio Cerqueira, localizado na divisa entre Santa Catarina e Argentina, registrou um aumento notável no movimento de caminhões em 2024. O número total de veículos que passaram pelo terminal alcançou 23.014, representando um crescimento de 47,4% em comparação com o ano anterior. Este aumento significativo reflete um equilíbrio entre importações e exportações, com 12.744 caminhões entrando no Brasil e 10.270 saindo.
Uma das principais causas desse crescimento foi a nova política do Governo de Santa Catarina de exigir que 20% das cargas com incentivo fiscal estadual, que chegam por terra, passem pelo porto seco de Dionísio Cerqueira.