Ferrovias
Fips prevê triplicar investimentos e entregar pera ferroviária no início de 2027
Ferrovia Interna do Porto de Santos já recebeu mais de R$ 400 milhões em investimentos desde 2023 e prepara expansão
A Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips) prevê triplicar, nos próximos anos, o montante de investimentos realizados desde outubro de 2023, quando iniciou a gestão do sistema. Até agora, mais de R$ 400 milhões já foram aplicados em melhorias na infraestrutura ferroviária do maior porto brasileiro em movimentação de cargas.
Entre as intervenções em andamento está a pera ferroviária, cuja sétima e última fase deverá ser concluída no primeiro trimestre de 2027.
Os números foram apresentados pelo CFO da Fips, Rafael Hipólito, durante painel do Centro-Oeste Export 2026, em Rio Verde (GO). Segundo ele, os investimentos buscam preparar a infraestrutura ferroviária do Porto de Santos para absorver o crescimento da produção agrícola de Mato Grosso e Goiás.
“Desde que assumimos a gestão da Fips, em outubro de 2023, executamos mais de R$ 400 milhões em investimentos, valor que deverá ser triplicado nos próximos anos”, afirmou Hipólito.

Rafael Hypólito participou de debate do Centro-Oeste Export 2026. (Foto: Giulianna Conte)
A ampliação ocorre em meio ao aumento da participação ferroviária no transporte de produtos agrícolas até o Porto de Santos. A projeção da Fips é encerrar 2026 com crescimento de aproximadamente 29% no volume de cargas movimentadas por ferrovia em comparação com 2023.
Além de elevar a capacidade física do sistema, o planejamento pretende reduzir o tempo de permanência de vagões e locomotivas dentro do complexo portuário. A meta é tornar mais rápido o ciclo que envolve a entrada dos trens, a descarga das mercadorias e a liberação dos equipamentos para uma nova viagem.
“Cada minuto reduzido no tempo de permanência dos ativos no porto resulta em maior produtividade, permitindo movimentar volumes superiores sem a necessidade de investimentos adicionais em novos ativos”, explicou.
A operação ferroviária exige elevados investimentos em locomotivas e vagões, especialmente nas rotas de longa distância que conectam o Centro-Oeste ao litoral paulista. A redução do tempo de giro desses equipamentos permite ampliar o transporte utilizando a estrutura existente e diminuir o custo por tonelada movimentada.
Entre as ações recentes está a implantação do Centro de Controle Operacional Integrado (CCOI), que reúne a coordenação das operações da Fips, da MRS, da VLI e da Rumo. O sistema permite acompanhar de forma conjunta a movimentação ferroviária dentro do porto e organizar a chegada dos trens aos terminais.
Segundo Hipólito, os investimentos realizados pelas concessionárias nas linhas de acesso ao complexo também fazem parte desse planejamento. A Malha Paulista passa por intervenções na descida da Serra do Mar, enquanto a MRS promoveu aportes na região conhecida como ferradura, um dos principais pontos de circulação ferroviária no Porto de Santos.
“A operação em Santos é resultado de um esforço sinérgico. Este marco permite que MRS, VLI, Rumo e Fips operem de forma coordenada, garantindo a capacidade necessária para absorver a crescente demanda do Mato Grosso e de Goiás”, declarou.
Um dos principais projetos desse ciclo é a pera ferroviária, estrutura que permitirá aos trens realizarem manobras com maior fluidez e reduzirem a necessidade de fracionamento das composições. A obra foi dividida em sete fases devido à complexidade de execução em uma área restrita e que precisa permanecer em operação durante as intervenções.
De acordo com o executivo, seis etapas já foram concluídas. A entrega da fase final está prevista para os três primeiros meses de 2027.
A modernização da ferrovia interna acompanha os investimentos realizados pelos terminais portuários e pelas concessionárias responsáveis pelas linhas que chegam a Santos. O objetivo é evitar que o aumento da capacidade das ferrovias externas encontre limitações na entrada do porto.
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