Bahia Export
Gargalos logísticos e barreiras regulatórias freiam potencial exportador da Bahia
Produtores e empresários apontam falta de infraestrutura e entraves burocráticos como desafios para ampliar presença no exterior
A cultura exportadora baiana precisa de mais que qualidade para crescer: precisa de caminhos. Esse foi o destaque do painel “A cultura exportadora da Bahia e ações para melhor promover a produção local no mercado internacional”, mediado pela advogada Zizette Balbino, na segunda edição do Bahia Export.
Para Fabiano Borré, CEO da Fazenda Progresso, produtora de café especial na Chapada Diamantina, o cenário exige previsibilidade. Ele relatou que a falta de contêineres específicos para alimentos, somada à escassez de rotas e ao tempo de trânsito elevado, atrasa entregas para mercados como Japão e Austrália. “Há embarques que levam de dois a quatro meses para chegar”, afirmou.
Borré também destacou que o setor enfrenta um calendário apertado para fechar contratos, concentrado entre julho e outubro, e que o recente aumento tarifário imposto pelos Estados Unidos freou as compras de clientes americanos, criando risco de excesso de oferta e pressão sobre preços.
Mônica Burgos, sócia-fundadora da Avatim, marca pioneira em fragrâncias para ambientes, ressaltou que, além da logística, as barreiras regulatórias são decisivas. Ela contou que, para acessar mercados como o europeu, a empresa precisou reformular produtos, retirando ingredientes aceitos no Brasil, mas vetados no exterior, como, por exemplo, os parabenos (grupo de compostos químicos amplamente utilizados como conservantes em diversos produtos). “A mudança de fórmula é um investimento alto e exige pesquisa para manter a qualidade e a identidade da marca”, afirmou.
Do lado do poder público, Pablo Barrozo, secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia, disse que o governo estadual busca reforçar a infraestrutura com obras em aeroportos, portos e na Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL). “Não adianta termos um produto de excelência se ele não chega ao destino no tempo e nas condições que o mercado exige. Nosso papel é criar as condições para que a logística não seja um gargalo, mas um aliado”.
Ainda segundo o secretário, há também programas setoriais voltados para setores como café, cacau e frutas, que visam dar suporte técnico e ampliar mercados. “Nosso objetivo é que cada cadeia produtiva tenha condições de competir lá fora com o mesmo nível de excelência que já entrega aqui dentro”.