Nacional
Governo anuncia R$ 14 bilhões para modernizar parque industrial
Programa prevê R$ 12 bilhões do BNDES e R$ 2 bilhões da Finep em 2025 para financiar máquinas e equipamentos 4.0
O governo federal anunciou na segunda-feira (25), em Brasília (DF), a ampliação dos recursos para financiar a modernização do parque industrial brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, lançou medidas que fortalecem o programa Nova Indústria Brasil, com foco na difusão de máquinas e equipamentos 4.0.
O pacote prevê a expansão das linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com orçamento total de R$ 12 bilhões para 2025 no caso do Crédito Indústria 4.0, oferecido pelo BNDES. A Finep, por sua vez, destinará R$ 2 bilhões à linha Difusão Tecnológica, voltada a empresas que busquem modernizar seu parque fabril nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Segundo Geraldo Alckmin, a medida é essencial para impulsionar a competitividade. “É para bens de capital: máquinas e equipamentos que vão fazer com que a indústria ganhe competitividade e reduza custos. Vai modernizar o parque industrial brasileiro, que tem uma média de 14 anos de idade. E esses R$ 12 bilhões serão com juros entre 7,5% e 8% mais o spread. São juros bem mais em conta para a modernização do parque industrial, com melhora de eficiência energética e redução de custos”, afirmou.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o impacto econômico da nova linha de crédito. “Essa é uma linha de crédito que vai direto na competitividade, na produtividade e na eficiência. No setor que tem mais P&D (pesquisa e desenvolvimento), que mais precisa inovar, e que irradia isso para toda a indústria e para toda a economia”, disse. Para ele, a iniciativa é “fundamental, porque não tem crescimento e emprego sem investimento, e o investimento precisa de inovação”.
A criação da linha é resultado da Resolução nº 5.232, aprovada em julho deste ano pelo Conselho Monetário Nacional, que autorizou o uso de até 2,5% do saldo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), administrado pelo BNDES, para financiar projetos ao custo da Taxa Referencial (TR).
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou o caráter estratégico da ação. “Essa resolução vai dar o impacto que nós todos desejamos: entrar naquilo que é base para o crescimento, que é o chamado capital bruto fixo. Ou seja, máquinas, equipamentos, e mais, nas indústrias de base tecnológica, que incorporem tecnologias portadoras do futuro, como é o caso do sensoriamento, de IA, de internet das coisas e de robótica”, afirmou.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a medida integra um esforço mais amplo de recuperação da indústria brasileira. “Nós estamos tendo que inovar muito no Brasil de hoje, porque muitas portas se fecharam para a indústria ao longo dos últimos anos. É impressionante a quantidade de políticas públicas que foram sendo desmontadas ao longo dos anos, a começar pelo não enfrentamento do maior desafio de todos da indústria, que foi a reforma tributária”, declarou, lembrando que a reforma tributária foi aprovada no primeiro ano do atual governo.
Indústria 4.0
No BNDES, a linha Crédito Indústria 4.0 contará com R$ 10 bilhões, destinada a projetos que envolvam a aquisição de bens de capital e incorporem tecnologias como robótica, inteligência artificial, computação em nuvem, comunicação máquina a máquina, internet das coisas (IoT) e sensoriamento. O financiamento será acessível a micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), com projetos de até R$ 50 milhões via repasses de bancos credenciados, e também a médias e grandes empresas, que poderão solicitar até R$ 300 milhões diretamente ao banco. Fabricantes de equipamentos também poderão contar com apoio para comercializar máquinas credenciadas, no mesmo limite de financiamento.
A Finep atuará de forma complementar, alocando R$ 2 bilhões especificamente para projetos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Segundo o presidente da instituição, Luiz Antonio Elias, a medida reforça a parceria com o BNDES e contribui para reduzir desigualdades regionais. “A participação da Finep, com o aporte de mais R$ 2 bilhões, reforça a parceria com o BNDES e contribui para a redução das assimetrias regionais, a partir do apoio a empresas de menor porte”, disse.
As condições financeiras da linha mesclam TR e taxas de mercado, com custo máximo de 8,5% ao ano. A expectativa é que essa combinação reduza em até 6% as taxas hoje pagas em financiamentos, ampliando o acesso, sobretudo para as MPMEs. Todos os bancos credenciados ao BNDES estarão aptos a repassar os recursos.