Nacional
Governo atua para preservar MP do frete e conter pressão do diesel
Planalto reforça diálogo com caminhoneiros, mantém benefício fiscal sobre combustível e tenta evitar paralisações no setor
O governo federal atua para manter, sem alterações, o texto da medida provisória que endurece as regras para o cumprimento do piso mínimo do frete, ao mesmo tempo em que amplia medidas para conter o impacto da alta dos combustíveis sobre o setor de transporte.
A sinalização foi feita nesta quarta-feira (25) pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, após reunião com representantes de caminhoneiros no Palácio do Planalto. Segundo ele, a orientação é evitar qualquer mudança no Congresso que represente recuo nas garantias da categoria. “O que nós nos comprometemos é atuar com a bancada do governo no Congresso Nacional para que o texto da MP seja preservado, sem nenhum retrocesso e garantindo as conquistas dos caminhoneiros”, afirmou.
Enquanto a medida provisória tramita no Legislativo, o governo também decidiu manter uma mesa permanente de negociação com os caminhoneiros, em uma tentativa de reduzir tensões e afastar o risco de paralisações. A avaliação de lideranças da categoria é de que o ambiente de diálogo tem evitado mobilizações. “Quando se tem diálogo, não fazemos greve”, disse Luciano Santos, presidente do sindicato dos caminhoneiros de Santos.
No campo econômico, o Planalto anunciou a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que representa uma redução de cerca de R$ 0,32 por litro. A medida busca amortecer os efeitos da alta internacional do petróleo, agravada pela guerra no Oriente Médio, sobre o preço do combustível no Brasil.
Apesar disso, os reajustes continuam pressionando o setor. Dados da ANP apontam que o preço médio do diesel subiu 11,8% na segunda semana de março, enquanto a gasolina teve alta de 2,5% no mesmo período.
Diante desse cenário, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar possíveis abusos na formação de preços de combustíveis, enquanto a ANP e a Secretaria Nacional de Segurança Pública intensificaram fiscalizações em diferentes estados.
O aumento dos custos também preocupa os operadores logísticos. Em nota, a Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) alertou que a alta do diesel pressiona toda a cadeia de distribuição, eleva o custo do transporte de cargas e pode impactar diretamente a inflação e o abastecimento.
“A elevação dos preços dos combustíveis impacta diretamente os custos logísticos, com efeitos em cadeia sobre toda a economia e o consumidor final”, destacou a entidade.
A ABOL também defende maior previsibilidade regulatória e medidas estruturais para reduzir a volatilidade dos preços, especialmente em momentos de instabilidade internacional.