Nacional
Governo defende diálogo com empresários dos EUA para negociar tarifaço
Ministros de estado se reuniram com representantes do setor industrial no primeiro encontro do Comitê Interministerial
O Governo Federal deu início nesta terça-feira (15) a reunião do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais (Cincec) com o setor produtivo para discutir as tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. Entre as propostas discutidas, durante encontro realizado em Brasília, foi de envolver o setor empresarial norte-americano para negociar alternativas à medida do presidente Donald Trump.
O Comitê é liderado pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e pelo ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa. Nesta terça-feira (15), o encontro reuniu representantes da indústria brasileira para debater estratégias e ações.
“Vem uma questão importante, que é conversarmos com os parceiros americanos do setor industrial, para que eles também se envolvam nesse trabalho, mostrando que isso não só encarece e prejudica a economia brasileira, mas também encarece os produtos americanos”, disse o vice-presidente.
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Alckmin usou o setor siderúrgico como exemplo da interdependência entre as duas economias. O Brasil é o terceiro maior comprador do carvão siderúrgico dos Estados Unidos, insumo essencial para a produção de aço semiplano, que por sua vez é exportado para o mercado americano para a fabricação de produtos acabados, como automóveis.

Comitê foi criado por Lula para adotar medidas e abrir diálogos e negociações para reverter tarifas. (Foto: Lula Marques/ABr)
As palavras mais ouvidas na reunião foram diálogo, negociação e união, segundo relato de Alckmin após o encontro, que contou com as presenças do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban; do presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva; e de lideranças de setores como siderurgia, papel e celulose, aeronáutica, calçados, têxtil, máquinas e equipamentos, madeira e autopeças, entre outros.
Na abertura da primeira reunião com os industriais, Alckmin ressaltou o empenho do governo brasileiro, em diálogo com o setor produtivo, para rever a situação. Destacou a inadequação da medida dos Estados Unidos, tendo em vista a relação de 200 anos entre os países e o histórico de superávit dos norte-americanos com o Brasil.
“Os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com boa parte do mundo, mas têm superávit na balança comercial com o Brasil, tanto no setor de serviços quanto de bens, há mais de 15 anos. De outro lado, dos dez principais produtos que os Estados Unidos exportam para nós, oito são ex-tarifário ou tarifa zero, não pagam nenhum imposto para entrar no Brasil. E a tarifa média é de 2,7%, a tarifa média de importação”, explicou o ministro.
Portos e Aeroportos
O ministro Silvio Costa Filho, que participou da reunião, se colocou à disposição do setor em dialogar com medidas e ações que visam renegociar o tarifaço, visando o objetivo principal de garantir o sucesso do comércio brasileiro.
“Acho que devemos transformar este momento que estamos vivendo em uma janela de oportunidades. Quero me colocar à disposição de todos os setores, especialmente daqueles que atuam nos portos brasileiros, para que possamos colaborar neste momento mais delicado”, disse.