Sustentabilidade
GWM coloca caminhão a hidrogênio em operação de carga pela 1ª vez no Brasil
Veículo de 544 cv transportou quatro SUVs entre o IPT e o Autódromo de Interlagos; modelo pode percorrer até 500 km com 40 kg de hidrogênio
A GWM realizou, nesta segunda-feira (24), o primeiro transporte de carga com um caminhão movido a célula de combustível de hidrogênio na América Latina, segundo a fabricante. A operação ocorreu em São Paulo e marcou uma demonstração da tecnologia em condições reais de uso.
O caminhão saiu da sede do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), na Zona Oeste da capital, com uma cegonheira carregada com quatro unidades do Tank 300 TerraForce. Os veículos foram levados ao Autódromo de Interlagos, na Zona Sul, em um trajeto de aproximadamente 25 quilômetros.
A operação reuniu duas tecnologias de eletrificação em um mesmo conjunto: o caminhão utiliza hidrogênio para gerar eletricidade e movimentar o motor elétrico, enquanto os SUVs transportados são híbridos plug-in.
Apesar de ser abastecido com hidrogênio, o caminhão é um veículo elétrico. O combustível alimenta uma célula de combustível, que combina o hidrogênio com o oxigênio do ar para produzir eletricidade. Essa energia movimenta o motor elétrico, sem queima de combustível.
Segundo a GWM, a autonomia chega a 500 quilômetros. O abastecimento completo leva entre 10 e 15 minutos. O caminhão tem peso de 10,8 toneladas vazio e Peso Bruto Total (PBT) de 49 toneladas.
Os testes no Brasil fazem parte dos esforços de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da GWM dentro do Programa MOVER, do Governo Federal, e se alinham ao plano global da companhia de neutralizar suas emissões de carbono até 2045.
Atualmente, mais de 30 mil unidades semelhantes já circulam na China, mas este é o primeiro modelo a operar em território brasileiro — o que permitirá verificar o desempenho em climas e topografias diversas, além de identificar oportunidades de melhoria. O objetivo é coletar dados sobre hábitos de condução no Brasil e entender como temperatura, altitude, tipo de pavimento, condições de rodagem influenciam a eficiência do sistema.
Produção de hidrogênio
O IPT participa do projeto com estudos relacionados à produção, armazenamento e abastecimento de hidrogênio. O instituto possui estações de abastecimento de 350 bar, voltadas a veículos pesados, e de 700 bar, destinadas a veículos leves.
Uma das possibilidades de produção é a eletrólise da água. Quando o processo utiliza eletricidade de fontes renováveis, como a solar, o combustível produzido é classificado como hidrogênio verde. Outra alternativa estudada no Brasil é a produção de hidrogênio a partir do etanol.
Além do caminhão, a GWM avalia a aplicação da tecnologia no mercado brasileiro. A proposta inclui soluções de conversão de veículos existentes, com o objetivo de prolongar a vida útil de componentes como cabine e chassi e substituir o sistema de propulsão a diesel por um conjunto elétrico alimentado por célula de combustível.
A empresa, no entanto, ainda não divulgou preços, clientes ou cronograma para uma eventual oferta comercial da solução no país.