Sudeste Export
Imetame prevê iniciar operação de contêineres em novo terminal em 2028
Empreendimento em Aracruz (ES) terá capacidade inicial de 1,2 milhão de TEUs, com possibilidade de expansão para 1,8 milhão
A Imetame prevê iniciar a movimentação de carga geral em seu novo terminal portuário, em Aracruz (ES), em meados de 2027, enquanto a operação de contêineres está prevista para começar até meados de 2028. O empreendimento terá capacidade inicial projetada de 1,2 milhão de TEUs por ano, com possibilidade de expansão para 1,8 milhão de TEUs, e profundidade inicial de 17 metros, suficiente para receber grandes navios porta-contêineres.
As informações foram apresentadas durante o painel “Infraestrutura compartilhada, coordenação territorial e o próximo salto de competitividade logística da região Sudeste”, realizado no Sudeste Export 2026, em Vitória (ES). O debate foi mediado pelo diretor-executivo do Parklog, Anderson Abreu, e reuniu representantes de autoridades portuárias, empresas e do Governo do Espírito Santo.
Segundo o diretor jurídico da Imetame, Bruno Carlesso, a profundidade e a configuração do acesso aquaviário estão entre os principais diferenciais do empreendimento. “Projetamos uma bacia de evolução que permite manobras rápidas e um canal de acesso curto, o que reduz substancialmente o tempo de espera e operação”, afirmou.
O executivo destacou que o empreendimento já possui um cronograma definido. A movimentação de carga geral deve começar em 2027, enquanto a operação de contêineres está prevista para 2028. A empresa também mantém parceria com a HGT, subsidiária da Hapag-Lloyd.
A capacidade projetada de 1,2 milhão de TEUs poderá chegar a 1,8 milhão de TEUs em uma segunda etapa. Para Carlesso, o terminal poderá funcionar como uma alternativa para aliviar gargalos existentes na infraestrutura portuária brasileira.
“Temos uma alternativa logística importante para o mercado nacional, atuando como um complemento essencial para mitigar os gargalos atuais de Santos”, disse.
Acessos
O avanço do projeto da Imetame foi colocado pelos participantes dentro de uma discussão mais ampla sobre a necessidade de preparar a infraestrutura de acesso antes que a demanda efetivamente apareça.
A gerente de Estratégia, Gestão e Novos Negócios da Portocel, Valéria Becalli Provete, afirmou que o complexo de Aracruz já movimenta aproximadamente 8 milhões de toneladas, mas que o potencial de crescimento depende da expansão coordenada dos acessos rodoviários, ferroviários e aquaviários.
“Se pretendemos consolidar a região de Aracruz como um polo logístico competitivo, precisamos viabilizar hoje o desenvolvimento da capacidade ferroviária necessária para atender ao potencial dos investimentos portuários em curso”, afirmou.
Valéria também chamou atenção para o tempo necessário para o licenciamento ambiental e para a obtenção de autorizações regulatórias. Segundo ela, projetos com horizonte de expansão até 2030 precisam ter essas etapas antecipadas para que a infraestrutura esteja disponível quando os novos empreendimentos entrarem em operação.
Na mesma linha, o diretor-presidente da Vports, Pedro Benevides, destacou a necessidade de articulação entre os diferentes modais. Para ele, a expansão da atividade portuária no Espírito Santo passa necessariamente pela capacidade de conexão com ferrovias e rodovias.
Benevides citou ainda os resultados recentes da Vports, cuja movimentação passou de 7 milhões para 8,5 milhões de toneladas desde a desestatização, com expectativa de alcançar 9 milhões de toneladas em 2026.
Já o diretor de Administração e Finanças do Porto de Santos, Júlio Cezar Alves de Oliveira, reforçou a necessidade de antecipação dos investimentos. “A infraestrutura deve chegar antes da demanda. Então, nós devemos estar preparados para esse futuro que chega para nós”, afirmou.
O executivo também destacou a posição geográfica do Espírito Santo e sua vocação para o comércio exterior, defendendo que a infraestrutura seja utilizada como vetor de desenvolvimento, geração de emprego e renda.
Planejamento territorial
A necessidade de integração entre infraestrutura e planejamento urbano também foi destacada pelo secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo, Rogério Muniz Salume. Segundo ele, o Estado trabalha para integrar os novos projetos aos municípios e aos sistemas rodoviário e ferroviário.
“Reforçamos a necessidade premente da implementação da ferrovia F-118, da qualificação dos ramais ferroviários e da ampliação dos investimentos em infraestrutura rodoviária”, afirmou.