Bahia Export
Inovação e tecnologia vão fortalecer logística e portos na Bahia
Especialistas discutem integração entre empresas e uso de inteligência artificial como estratégias para aumentar competitividade
O painel “Inovação aberta: Conectando setores e potencializando a logística e a infraestrutura da Bahia” reuniu especialistas nesta quinta-feira (14), durante o Inova Export, em Salvador. A mediação foi feita por Karina Martins, Diretora-Executiva do HUB Brasil Export, e o debate abordou desafios e soluções para a integração entre empresas, adoção de tecnologias, criação de ambientes de teste e fortalecimento da infraestrutura portuária no estado.
A falta de comunicação entre os diversos agentes da cadeia foi citada com um grande entrave para o setor. Para o diretor de Gestão Administrativa e Financeira da Codeba, Leandro Gaudenzi, a ausência de integração ainda limita o potencial logístico do estado. Ele defendeu o fortalecimento das autoridades portuárias como protagonistas na condução de investimentos em inovação.
“Ainda existem muitas ilhas que precisam se falar. Uma autoridade portuária forte tem capacidade de investir em inovação mesmo diante de riscos, oferecendo base para que o setor privado avance”, afirmou. Leandro destacou que a integração entre diferentes áreas portuárias e logísticas é essencial para ampliar a eficiência operacional e possibilitar novas oportunidades de negócios.
Um exemplo de como a cooperação pode gerar resultados práticos veio da gerente comercial e logística outbound da Atlantic Nickel, Renata Cavalcanti Lamas. Ela apresentou a iniciativa de combinação de cargas entre mineradoras, que reduziu custos e impactos ambientais. Segundo Renata, a estratégia trouxe economia de 10 a 15 dólares por tonelada no frete e evitou a emissão de 15 mil toneladas de CO₂ apenas em 2024.
“Não somos concorrentes na logística, e sim parceiros”, reforçou, ressaltando que o compartilhamento de recursos e informações entre empresas pode gerar ganhos econômicos e ambientais significativos, ao mesmo tempo em que fortalece a colaboração no setor.
Além da integração entre empresas, a adoção de tecnologias de forma segura também foi defendida pelos debatedores. O head de produto da Trackfy, Pedro D’oca, destacou a importância dos sandboxes regulatórios, ambientes controlados que permitem testar soluções antes da aplicação em larga escala.
“O sandbox regulatório permite adaptar a tecnologia à realidade da operação, certificá-la e entregá-la pronta para ganho de escala”, explicou. Segundo Pedro, esses espaços são fundamentais para que startups e empresas possam validar inovações sem comprometer processos críticos, garantindo resultados eficientes quando implementadas em grande escala.
A transição para combustíveis limpos também foi citada como uma das oportunidades mais promissoras para o setor. O gerente-executivo do Senai Cimatec, José Luis Almeida, lembrou que o transporte marítimo responde por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa e que alternativas como o metanol e o biometano podem reduzir significativamente esse índice.
“O país tem vocação para biomassa e energia limpa, o que nos dá vantagem para implementar tecnologias e tornar os portos mais sustentáveis”, afirmou. José destacou que a adoção gradual dessas tecnologias nos portos pode aumentar a competitividade do setor e reduzir o impacto ambiental das operações logísticas.
Os participantes também abordaram exemplos de inovação aplicada na Bahia, como o uso de inteligência artificial para otimizar processos logísticos e produtivos. Renata comentou que, na Atlantic Nickel, a tecnologia tem sido usada para melhorar a visualização do processo produtivo e reduzir erros, gerando ganhos financeiros e operacionais.
A implementação de práticas ESG, que combinam resultados econômicos, sociais e ambientais, também foi destacada como estratégia essencial. Entre as iniciativas citadas estão a redução de emissões de CO₂, eletrificação de equipamentos portuários e a colaboração entre empresas e autoridades locais, demonstrando o potencial do estado para se tornar referência em logística e inovação tecnológica no país.