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Aviação

Inquérito sobre acidente da Voepass entra na etapa final

Atualizado em: 3 de July de 2026 às 10:02
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

Polícia Federal prevê concluir investigação até o fim do mês, enquanto relatório técnico do Cenipa passa por revisão internacional

Quase dois anos depois do acidente com o voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024, as investigações entram na reta final. O inquérito da Polícia Federal deverá ser concluído até o fim deste mês, segundo a corporação. Já o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB), está em fase de revisão por autoridades internacionais, informou o órgão.

Segundo o advogado Luciano Katarinhuk, a expectativa é de que pessoas que não estavam a bordo e teriam responsabilidade pelo acidente sejam indiciadas.

O voo seguia de Cascavel (PR) para São Paulo quando caiu em Vinhedo (SP). Todos os ocupantes morreram, mas não houve vítimas em solo. Após o acidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou o certificado de operador aéreo da Voepass.

Procurada, a Voepass não respondeu. Em manifestação anterior ao Estadão, a empresa afirmou que somente o relatório final do Cenipa poderá apontar, de forma conclusiva, as causas do acidente.

Na terça-feira (30), representantes das famílias tiveram acesso à transcrição das conversas registradas na cabine antes da queda. Segundo a presidente da associação das famílias das vítimas, Fátima Albuquerque, os familiares preferiram não ouvir os áudios por estarem emocionalmente abalados.

“O laudo pericial tem mais de 200 páginas e foi mostrado em primeira mão aos familiares. O que se confirmou é que haverá indiciamentos, ou seja, a responsabilização de pessoas criminalmente pelo que aconteceu”, afirmou Katarinhuk ao Estadão.

Segundo o advogado, o avião não deveria estar em operação. “Todos os responsáveis que mantiveram esse avião voando devem ser responsabilizados, pois deveriam ter deixado o avião em solo. Se o piloto teve culpa, ele pagou com a vida, mas há outros culpados.”

Ele acrescentou que o laudo pericial reúne elementos relevantes, mantidos sob sigilo em razão do andamento do inquérito. “Houve uma sequência de fatores que resultaram no acidente e espero que não haja transferência de culpa para quem morreu”, disse.

Fátima Albuquerque reforçou que a principal reivindicação das famílias é a responsabilização dos envolvidos. “A nossa luta é para que as pessoas sejam indiciadas, principalmente aquelas que comandaram a equipe que culminou com a morte de nossos familiares. Os nossos não voltam, mas é necessário uma consciência da sociedade para que cesse esse tipo de comportamento no país”.

Mãe da médica Arianne Albuquerque, uma das vítimas do voo, Fátima afirma que a tragédia poderia ter sido evitada. “Era minha filha única, minha vida. Quase dois anos depois, a gente está aqui dilacerada e só espera por justiça. O avião não quebrou naquela viagem, ele já estava quebrado. Não foi uma fatalidade”.

Segundo ela, ficou comprovado que o sistema de degelo não funcionava, apesar da previsão de chuva e frio para o trajeto. “Aquele avião não poderia voar. É uma questão de intenção, de não fazer a manutenção, não registrar o erro, submetendo a tripulação a uma situação de risco que foi paga com muitas vidas”.

Na esfera civil, a maior parte das ações já resultou em acordos com as empresas envolvidas. As famílias concentram agora os esforços na responsabilização criminal e administrativa dos supostos envolvidos. Os nomes dos possíveis indiciados não foram divulgados.

Os familiares pretendem realizar uma cerimônia em homenagem às vítimas, embora a dor ainda dificulte qualquer iniciativa. “Estão todos muito revoltados. Perdi minha única filha, uma médica excepcional. A maioria das vítimas era muito jovem, tinha a vida pela frente”

Segundo Fátima, a associação reúne cerca de 50 mães, embora algumas ainda não consigam participar. “Tem mãe com depressão, tem um casal que não sai do quarto. Uma mãe já morreu, não aguentou. Para nós, todos os dias cai o avião, todos os dias nós perdemos nossos filhos. Só nos resta esperar por justiça”.

Como foi o acidente

Na tarde de 9 de agosto de 2024, um ATR 72-500 da Voepass caiu em Vinhedo (SP), matando os 58 passageiros e os quatro tripulantes.

O relatório preliminar divulgado pelo Cenipa informou que o comandante havia relatado falha no sistema de degelo da aeronave. Também foram registrados os alertas Cruise Speed Low (baixa velocidade de cruzeiro) e Degraded Performance (performance degradada), compatíveis com perda de desempenho em condições de formação de gelo.

Em nota, o Cenipa informou que a investigação está em fase avançada de revisão final por representantes da França e do Canadá, conforme os protocolos internacionais. O órgão reiterou que não há prazo para a conclusão dos trabalhos e que os resultados serão divulgados apenas por meio do Relatório Final Sipaer, que será publicado após o encerramento da investigação.

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TAGS cenipa investigação Polícia Federal VOEPASS
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