Mercosul Export
Infraestrutura ferroviária no RS e em SC é negligenciada, diz diretor
Debate no Mercosul Export destaca necessidade de modernização da Malha Sul e maior integração ferroviária regional
Durante a dinâmica “Desafios e soluções para integração da malha ferroviária do Cone Sul”, realizada no Mercosul Export, nesta quinta-feira (14), o diretor comercial da Wilson Sons, Rodrigo Velho, falou sobre o estado crítico da malha ferroviária na região Sul do Brasil. Segundo ele, os investimentos da atual concessão não foram distribuídos de forma equilibrada.
Segundo ele, a infraestrutura ferroviária em Rio Grande do Sul e Santa Catarina foi negligenciada, com investimentos insuficientes por parte da concessionária ao longo dos anos. O cenário, que já era considerado de abandono, teria se agravado após as enchentes de 2024, deixando a rede em condições precárias.
Diante da nova concessão prevista para fevereiro do próximo ano, Velho fez um alerta sobre o risco de “fatiamento” da malha ferroviária, modelo que priorizaria apenas trechos mais rentáveis da rede. Para ele, a concessão precisa ser tratada de forma integral, com foco no desenvolvimento regional. “Se acontecer alguma coisa nesse sentido de fatiamento, é óbvio que talvez a gente tenha muita dificuldade de ter um investidor interessado em algo que está sem investimento há muito tempo e, infelizmente, sucateado e com dificuldades operacionais muito grandes”, alertou.
Como alternativa, ele citou o modelo de concessões aeroportuárias, no qual operadores de grandes terminais também assumem a gestão de unidades regionais menos lucrativas.
No contexto do Cone Sul, o diretor reforçou a importância da integração logística regional como eixo estratégico para o avanço do Mercosul. Ele destacou que o momento é oportuno para aprofundar a conexão ferroviária, especialmente diante dos avanços recentes no Uruguai, com a operação do Ferrocarril Central, e dos movimentos da Argentina em direção a uma nova concessão ferroviária.
Para Velho, o desafio vai além da infraestrutura portuária. “Precisa-se de investimentos em novos portos, isso é fato. Todo mundo discute, mas parece que só se discute isso. A chegada nos portos precisa ser cada vez mais discutida e diversificada”, pontuou.
Como solução, ele defende a ampliação da intermodalidade, integrando ferrovia, rodovia e hidrovia, para aumentar a competitividade logística regional. Entre os exemplos citados, está a dragagem da Lagoa Mirim, que poderia conectar o nordeste do Uruguai ao Porto do Rio Grande por via hidroviária. Somada a uma malha ferroviária integrada, a iniciativa consolidaria o porto gaúcho como um potencial hub rodo-ferro-portuário no Cone Sul.