Santos Export
Inteligência artificial e big data: o impacto da inovação na infraestrutura
Tecnologias emergentes transformam o setor logístico, mas especialistas alertam para a necessidade de planejamento estratégico
Inteligência artificial, grandes volumes de dados (big data), computação em nuvem e outras ferramentas de inovação foram apontadas por especialistas e autoridades do setor de infraestrutura como as tecnologias que mais podem impactar positivamente as operações logísticas no Brasil. O debate ocorreu durante o Inova Export, realizado no último dia 18, em São Paulo, como parte da programação do Fórum Santos Export.
Kelli Azzolim, gerente de IT e OT da Vopak, alertou sobre a importância de saber escolher a ferramenta adequada para cada tipo de caso. “A tecnologia é um leque gigante, o principal é saber qual delas deve ser adotada. Acho que, muitas vezes, a gente segue a ‘moda’, e isso é um risco”, afirmou.
Segundo Azzolim, o planejamento estratégico das empresas, tanto de curto quanto de longo prazo, deve guiar a modernização, que precisa ser escalável e flexível. Para ela, por exemplo, a inteligência artificial, embora muito discutida, ainda pode gerar dúvidas sobre a melhor forma de aplicá-la.
“Quando vamos falar desse tipo de ferramenta, temos que entender a nossa base: precisamos melhorar a infraestrutura, melhorar a conectividade, precisamos melhorar nossos processos, ter ferramentas que conduzam nosso processo da melhor forma, porque a IA sem dados curados, esquece, não vai funcionar”.
Ana Paula Barros, gestora de TI e Sistemas da Wilson Sons, completou o pensamento, destacando a importância de um planejamento de informações por meio de mecanismos como big data e computação em nuvem integrados ao uso de inteligência artificial.
“Nós tivemos no Centro Logístico, no ano passado, uma jornada de dados muito importante, onde mapeamos tudo para entender de fato a nossa base”, disse.
“Para que, assim, conseguíssemos elaborar um projeto muito baseado em dados e inteligência artificial. Não tinha como ir para a inteligência artificial sem antes conhecer de fato como estava a nossa empresa”, completou.
Barros contou que buscou no mercado uma startup parceira para desenvolver um sistema integrado, permitindo a criação de uma arquitetura de dados e um projeto com inteligência artificial, voltado para otimizar a operação, reduzir custos e agregar mais valor aos clientes.
Confiança
Em um setor onde o erro pode representar milhões e bilhões de reais perdidos, Leonardo Perticarrari, gerente de Projetos Estratégicos da Maersk, compartilhou sua visão sobre como dar o primeiro passo de confiança para viabilizar projetos de inovação no setor de infraestrutura e permitir a experimentação das POCs (Proof of Concept, ou Prova de Conceito).
“É muito importante que, como área de inovação, estejamos alinhados com a alta liderança, buscando inovar dentro dos pilares da empresa”, afirmou.
Outro fator importante é que não haja procrastinação e as ideias sejam implementadas rapidamente, com a colaboração de todos os núcleos da corporação.
“Estar alinhado desde o planejamento inicial até as apresentações parciais de resultados, até no final, quando a gente for tomar a decisão de sair talvez de uma POC, para uma expansão comercial ou dar um próximo passo”, finalizou.
A gerente de TI e Escalação do Ogmo Santos, Flávia Cordella Silveira, destacou que, para trazer segurança a um projeto, é essencial conectar o setor produtivo à população local. “As startups vêm realmente para fazer as mudanças que a gente precisa. Através das comunidades e universidades, todo tipo de colaboração para a área da inovação é importante”.
O painel “Tecnologia em Ação, Colaboração entre Empresas e Ecossistemas de Inovação” foi mediado por Raul Vieira, consultor de tecnologia do Senai da Baixada Santista.