Região Sudeste
Intermodal abre com foco em geopolítica, custos e integração
Primeiro dia do evento, em São Paulo, reúne autoridades e especialistas diante de um cenário internacional de incertezas e novas oportunidades comerciais
As tensões geopolíticas e as transformações nas relações comerciais globais marcam a 30ª edição da Intermodal South América, que teve início nesta terça-feira (14), no Distrito Anhembi, em São Paulo. O encontro debate logística, transporte de cargas e comércio exterior na América Latina, reunindo mais de 500 marcas expositoras e a 4ª edição do Interlog Summit.
A abertura foi marcada pela presença de autoridades do setor, como diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Frederico Carvalho Dias, o presidente da Confederação Nacional do Transporte, Vander Costa, e o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, que destacaram a importância da integração logística para enfrentar os desafios atuais e ampliar a competitividade do Brasil no cenário internacional.
O evento ocorre em meio à crescente pressão sobre as cadeias globais de suprimentos, agravada pelos desdobramentos recentes do conflito no Oriente Médio. A instabilidade na região elevou os riscos no Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de 20% do escoamento mundial de petróleo, provocando uma nova escalada nos preços dos combustíveis.
No Brasil, o impacto já é sentido no aumento do diesel, com reflexos diretos sobre o custo do transporte rodoviário e reajustes na tabela de fretes que podem chegar a 7%, dependendo da operação.
Outro fator que eleva as expectativas para o setor é o acordo entre Mercosul e União Europeia, firmado após décadas de negociações e com previsão de entrada em vigor provisória a partir de 1º de maio de 2026. O tratado prevê a eliminação de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral e deve impulsionar as exportações brasileiras, especialmente nos setores agrícola e industrial, além de estimular investimentos e ampliar a cooperação entre os blocos.
Nesse cenário de instabilidade e reconfiguração das alianças globais, a Intermodal ganha ainda mais relevância ao reunir CEOs, executivos e especialistas para discutir soluções integradas e o futuro da logística. Um dos destaques da programação é o economista Marcos Troyjo, keynote speaker do Interlog Summit, que aborda os impactos da fragmentação geopolítica nas cadeias de suprimentos globais.
Segundo Troyjo, a elevada concentração das exportações brasileiras em mercados asiáticos exige maior diversificação. Ele também ressaltou que o acordo com a União Europeia pode ampliar não apenas o comércio, mas também os fluxos de investimento estrangeiro direto, especialmente em áreas como infraestrutura logística.
A programação do primeiro dia também trouxe visões complementares sobre desempenho, tecnologia e operação. O ex-nadador olímpico Thiago Pereira relacionou conceitos de alta performance do esporte ao ambiente corporativo, enquanto Ricardo Cappra discutiu o papel dos dados e da inteligência artificial na construção de organizações mais analíticas.
Já Milton Pimenta, da CEVA Logistics, e Eduardo Camargo, ligado à Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, contribuíram com a visão prática das operações e da infraestrutura logística no país.