Brasil Export
Investimentos em ferrovias avançam, mas setor cobra regulação e integração portuária
Executivos também destacaram a importância de integrar os trilhos aos portos do país
Os sistemas ferroviários brasileiros vivem o maior ciclo de investimentos da história recente, mas ainda enfrentam gargalos de financiamento, regulação e integração logística com os portos. A avaliação foi unânime entre os debatedores do painel “Sistemas ferroviários de acesso aos portos brasileiros e ações para ganhos de produtividade”, realizado durante o Fórum Nacional Brasil Export, nesta quinta-feira (30), em Brasília.
O diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto, destacou que 2023 e 2024 representam um marco histórico em volume de investimentos ferroviários, demonstrando amadurecimento do setor. “Estamos diante de um ciclo duradouro de obras e aportes expressivos, mas ainda precisamos resolver a questão central: o financiamento. Investir em ferrovia significa falar em bilhões — e precisamos recolocar a ferrovia no orçamento da União”, afirmou. Barreto também defendeu o aperfeiçoamento do modelo regulatório e a criação de um fundo estruturado para o setor, desde que garanta previsibilidade e segurança jurídica.
Na mesma linha, o presidente-executivo do Instituto Besc de Infraestrutura e Logística (IBI), Mário Povia, apontou que o alto nível de judicialização ainda é um entrave à expansão da malha ferroviária. “Temos sensibilidade crescente sobre a necessidade de um marco regulatório estável. As prorrogações antecipadas da Vale e da Rumo são exemplos positivos, assim como os avanços da Transnordestina. Mas precisamos tratar de temas como a Ferrogrão com mais objetividade — enquanto discutem-se projetos de integração com o Pacífico no exterior, seguimos com dificuldades internas”, pontuou.
A diretora regulatória e institucional da Hidrovias do Brasil, Mariana Pescatori, trouxe o debate da sustentabilidade para o centro da discussão, lembrando que o transporte responde por 11% das emissões de gases de efeito estufa do país. “Ferrovias e hidrovias são essenciais para reduzir custos e emissões”.
Já o vice-presidente do Instituto Brasil Logística (IBL) e diretor-executivo do Sopesp, Ricardo Molitzas, destacou que o agronegócio será o principal teste da capacidade logística do país na próxima década. “A produção de soja, milho e açúcar deve crescer em 80 milhões de toneladas nos próximos dez anos”, alertou.
Fechando o painel, o diretor-presidente da Federação dos Operadores Portuários (FIPS), João Almeida, ressaltou que o ganho de eficiência não pode desconsiderar a relação porto-cidade. “O equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade urbana é essencial”, observou.