Região Sudeste
IPT dá início à instalação da primeira planta nacional de terras raras
Estrutura permitirá ao país testar rotas de separação e refino dos minerais, reduzindo a dependência de fornecedores externos
O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, deu na última semana o primeiro passo concreto para a instalação da futura Planta de Processamento de Terras Raras e Minerais Críticos. Com o recebimento dos primeiros equipamentos, o projeto entra em fase de montagem e marca o início de uma estrutura inédita no país voltada à separação e purificação desses elementos, fundamentais para a indústria de alta tecnologia.
A iniciativa busca reduzir a dependência brasileira de fornecedores externos e fortalecer a autonomia tecnológica nacional. Segundo o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, a planta tem potencial para mudar a escala da atuação do Brasil nesse setor. “Com tecnologia adequada para processamento e separação dos minerais de terras raras poderemos alavancar, em um futuro não muito distante, negócios da ordem de vários bilhões de dólares. O Brasil tem casos bem-sucedidos como o petróleo do pré-sal e o etanol veicular”, afirma.
A nova planta vai complementar a infraestrutura já existente no IPT, que inclui laboratórios para produção de ligas, pós metálicos e proteção contra corrosão. O espaço permitirá a realização de simulações, testes e validação de rotas tecnológicas, abrindo caminho para o desenvolvimento de soluções nacionais em beneficiamento mineral e agregando valor à cadeia produtiva.
Como parte das ações para disseminar o conhecimento sobre o tema, o instituto também lançou o e-book “Terras Raras”, que explica de forma didática a relevância tecnológica e econômica desses minerais e detalha a atuação do IPT nessa área.
O material pode ser acessado gratuitamente no site da instituição (conteudo.ipt.br/planta-de-processamento-de-terras-raras-e-minerais-criticos).
Para o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopyan, a criação da planta e a publicação reforçam a vocação do Instituto para a inovação. “O IPT, ao longo de seus 126 anos, tem estado sempre na vanguarda e, a cada desafio ou crise, se renova. Além disso, antecipa-se às demandas que a sociedade virá a necessitar no futuro”, disse.
Disputa global
A movimentação em torno das terras raras ocorre em um momento de crescente disputa global por esses elementos. O grupo é formado por 17 metais que incluem o neodímio, o praseodímio, o disprósio e o térbio, usados na fabricação de ímãs permanentes, baterias, turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos de defesa. A China domina mais da metade da extração mundial e cerca de 90% da capacidade de refino, o que tem levado países como Estados Unidos e membros da União Europeia a buscar alternativas para reduzir a dependência do mercado chinês.
O Brasil, que possui a segunda maior reserva conhecida de terras raras do mundo, tem hoje apenas uma mineradora em operação, a Serra Verde, em Goiás, e exporta concentrados sem avançar para etapas de refino e industrialização.