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Brasil Export Minas e Energia

Licenciamento e desinformação prejudicam uso da energia nuclear

26 de November de 2025 às 17:49
Patrícia Fahlbusch Enviar e-mail para o Autor

Assunto foi debatido em painel desta quarta-feira (26), no Fórum Brasil Export Minas e Energia

A energia nuclear no centro do debate. O painel do “Combustível nuclear e a modernização da matriz energética brasileira | De Angra 3 às PCRs”, realizado durante a primeira edição do Fórum Brasil Export Minas e Energia, organizado pelo Grupo Brasil Export, nesta quarta-feira, 26, em Brasília, abordou como essa matriz impacta no futuro energético do Brasil, além dos desafios regulatórios, técnicos e econômicos de sua utilização. O principal exemplo discutido foi o projeto da usina Angra 3.

“A energia nuclear é a base da grande ciência do desenvolvimento da energia no mundo. O Brasil tem as melhores e maiores universidades, tem toda a parte de prospecção, tem o mineral, extrai. A gente faz a elevação do isótopo até 20%, e para combustível nuclear só é necessário o enriquecimento até 5%, portanto, nós temos capacidade, inclusive, adicional além daquilo que nós fizemos pra ter o setor nuclear muito pujante”, explicou o deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ), debatedor do painel que teve a moderação de Raquel Lannes, diretora de Novos Negócios do Grupo BE.

Atualmente, o Brasil opera dois reatores nucleares, Angra 1 e Angra 2, ambos na região da costa verde do estado do Rio de Janeiro. A energia nuclear responde por cerca de 2% da geração elétrica nacional. É pouco, mas trata-se de uma matriz estratégica para a diversificação energética, colaborando, significativamente, para reduzir a dependência das hidrelétricas. O projeto de maior destaque é o da usina Angra 3. O reator começou a ser construído na década de 80, mas o processo foi interrompido e retomado por diversas vezes. As obras estão 60% concluídas, e geram um gasto anual de cerca de R$ 1 bilhão aos cofres públicos.

“Uma das maiores impedâncias do desenvolvimento brasileiro é a questão do licenciamento ambiental, nós não podemos continuar demorando 10, 15 anos para fazer o licenciamento ambiental de projetos estruturantes para o país. Nós, hoje, temos meios e tecnologia suficientes para auditar e fazer projetos que sejam absolutamente incríveis do ponto de vista da sustentabilidade, que sejam muito melhor, inclusive, do que hoje as decisões exaladas pelo Ibama baseadas em tecnologias, baseadas na eliminação das subjetividades, baseadas, efetivamente, em fatos concretos, analisáveis, críveis daquilo que está se certificando para o setor ambiental. Então, eu sou totalmente favorável a que se organize o licenciamento brasileiro a partir de critérios que possam ser analiticamente comprovados, que não seja o subjetivo, que sejam critérios objetivos de sustentabilidade”, defendeu o deputado Júlio Lopes.

Uma das alternativas de promoção da transição energética no Brasil são as Pequenas Centrais Reatoras, chamadas PCRs. Seus reatores tem construção mais rápida, custos previsíveis e maior segurança. Essas usinas podem atender cidades menores, indústrias, regiões remotas, reduzir a dependência de termelétricas fósseis, e causar efeito complementar às fontes solar e eólica já que oferecem energia contínua e de baixa emissão de carbono.

“O mundo tomou conhecimento da energia nuclear através da bomba de Hiroshima, que foi um evento terrível, matou gente, e aí começou essa narrativa e esse medo sobre radiação, sobre a potência destrutiva, e aí você diz não uma usina nuclear pode explodir igual a uma bomba. Não explode igual uma bomba. Não tem condições para explodir igual uma bomba. Mas existem pessoas que são contrárias que divulgam isso”, afirmou John Forman, Conselheiro do Instituto de Petróleo, Gás e Energia (IPEGEN).

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