Aviação
Lucro da Embraer cresce no 2º tri e empresa revisa projeções
Companhia registra receita recorde, amplia margem projetada e carteira de pedidos chega a US$ 34,5 bilhões
A Embraer registrou lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 25% em relação aos R$ 890 milhões apurados no mesmo período do ano passado. Com o resultado, a companhia elevou algumas das projeções para este ano.
Segundo a fabricante, o crescimento do lucro “foi impulsionado principalmente por um forte desempenho operacional e despesas financeiras líquidas menores; fatores que foram parcialmente compensados por impostos mais elevados no período.”
A receita líquida também atingiu recorde no segundo trimestre, chegando a R$ 11,3 bilhões, alta de 10% sobre os R$ 10,27 bilhões registrados um ano antes.
O resultado repercutiu positivamente na Bolsa. Por volta das 12h35 desta segunda-feira (10), as ações da Embraer subiam 5,22%, cotadas a R$ 97,38. Durante o pregão, os papéis chegaram a R$ 101,22, alta de 9,4%.
Para a XP, o desempenho veio acima do esperado em diferentes indicadores. “Mesmo após excluir os itens positivos não recorrentes, as margens recorrentes ainda vieram acima das nossas estimativas e do consenso, além de melhorarem sequencialmente, ajudando a aliviar as preocupações com rentabilidade levantadas no trimestre anterior.”
Virgílio Lage, especialista da Valor Investimentos, também destacou a qualidade dos resultados. “O que mais chama atenção no resultado da Embraer não é apenas o crescimento da receita, mas a qualidade desse avanço. A companhia apresentou expansão de margens, forte geração de caixa e uma carteira de pedidos recorde.”
Segundo Lage, o desempenho da área de Defesa também merece destaque, principalmente com o KC-390. Na última semana, a Embraer anunciou um contrato para fornecer duas aeronaves à Força Aérea da Colômbia.
“Abre uma avenida relevante de expansão para os próximos anos. O balanço veio forte e, principalmente, trouxe sinais de que a melhora operacional está se tornando mais estrutural”, afirmou.
Projeções para 2026
A Embraer manteve as estimativas para as entregas de aeronaves comerciais e executivas e para a receita em 2026, mas revisou para cima a projeção de margem Ebit ajustada, indicador que mede o resultado antes de juros e impostos.
A nova faixa passou para 10% a 10,6%, ante a estimativa anterior, de 8,7% a 9,3%.
A companhia também dobrou a projeção de fluxo de caixa livre, que passou de US$ 200 milhões ou mais para uma faixa de US$ 400 milhões. O indicador representa os recursos disponíveis após os desembolsos necessários para a operação e os investimentos.
Outro recorde foi registrado na carteira de pedidos, que alcançou US$ 34,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 16% na comparação anual.
Entre abril e junho, a Embraer entregou 65 aeronaves, sendo 20 jatos comerciais e 45 executivos. Não houve entregas no segmento de Defesa no período.
Eve
Na subsidiária Eve, responsável pelo desenvolvimento do eVTOL, aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical, o desempenho financeiro foi diferente.
“A posição de caixa líquido da Eve piorou em R$ 251,9 milhões em relação ao trimestre anterior, atingindo R$ 471,5 milhões no 2T26, devido à geração de fluxo de caixa livre negativo de R$ 248,4 milhões durante o período”, informou a Embraer.
A dívida bruta da Eve também aumentou R$ 37,4 milhões na comparação com o trimestre anterior. Segundo a companhia, o crescimento ocorreu “à medida que a companhia continuou financiando seus esforços de pesquisa e desenvolvimento”.