Comércio exterior
Lula diz que conversa com Trump já deu frutos e espera reunião
O presidente norte-americano determinou aos seus auxiliares que retomem a negociação sobre as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros. Governo brasileiro está otimista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o telefonema que fez na semana passada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já deu frutos. “Espero que sejam frutos saborosos”, afirmou. Segundo Lula, Trump determinou que seus auxiliares conversem com os dele.
Em entrevista à Rede Record, veiculada durante o mesmo horário do debate de candidatos à Presidência da República, promovido pela Rede Bandeirantes e outros veículos de imprensa, entre eles o Estadão, do qual não participou, Lula relatou ter dito a Trump que as bases nas novas sanções tarifárias ao Brasil são mentirosas.
O tom do telefonema entre os dois presidentes foi caracterizado como ameno e cordial por interlocutores brasileiros. Na ligação, Lula reiterou pedido para que Brasil e EUA insistam na negociação para retirar o tarifaço imposto a produtos brasileiros, e Trump, segundo o governo brasileiro, “concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”.
O foco da conversa era mesmo a relação bilateral, embora também tenham discutido as guerras e o papel das Nações Unidas, pano de fundo para telefonemas recentes aos presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin.
Ao fim da chamada, Trump disse a Lula ter gostado do papo e afirmou que eles podem falar entre si sempre que acharem necessário, sem recorrer a intermediários ou percorrer caminhos burocráticos.
O petista lembrou da visita em maio a Washington, citada como momento “excelente”, disse que eles conseguiam fazer muitas coisas juntos e precisam retomar os contatos. Trump teria demonstrado apreço por Lula novamente – algo que fez em encontros anteriores, ao perguntar até sobre o período da prisão na Operação Lava Jato.
Efeito desejável
Para o governo Lula, esse é um efeito desejável, porque a experiência mostra que a interação com outros escalões do governo americano tem sido marcada, segundo integrantes do governo, por turbulências, hostilidade ideológica e mais atravessada pela interferência da oposição.
Um integrante do governo brasileiro avalia que o contato entre presidentes desarma a oposição e pode tornar “mais difícil” que o próprio Trump tome lado e se manifeste contra Lula no decorrer da campanha eleitoral. O mesmo não se pode dizer de outras figuras do governo dele.
O presidente brasileiro afirmou também que o país está disposto a trabalhar junto com os EUA no combate ao crime organizado. Os Estados Unidos classificaram e junho o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), grupos criminosos brasileiros, como organizações terroristas. O governo do Brasil rejeita a classificação ao argumentar que pode ferir a soberania nacional.