Comércio exterior
Lula pretende assinar acordo Mercosul–União Europeia em 20 de dezembro
Presidente afirma que tratado criará a maior zona de livre comércio do mundo; reunião decisiva será em Foz do Iguaçu, mas presença de Javier Milei ainda é incerta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo, em Joanesburgo, na África do Sul, que pretende assinar no dia 20 de dezembro o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A data coincide com a reunião da Cúpula dos Líderes do Mercosul, marcada para Foz do Iguaçu, no Paraná, onde o Brasil exerce a presidência rotativa do bloco neste semestre.
Segundo Lula, a assinatura é a prioridade diplomática do fim do ano. Ele afirmou que não pretende realizar novas viagens internacionais, exceto para Brasília ou Foz do Iguaçu, caso o encontro marque oficialmente a conclusão do tratado. O presidente destacou ainda a importância estratégica do acordo, que deve criar a maior zona de livre comércio do planeta, abrangendo cerca de 722 milhões de habitantes e movimentando 22 trilhões de dólares em PIB. “Possivelmente seja o maior acordo comercial do mundo”, declarou.
O texto do acordo entre Mercosul e União Europeia levou 25 anos de negociações e foi concluído no ano passado, mas ainda depende da assinatura formal dos blocos e da aprovação pelos parlamentos nacionais. Lula espera que essa etapa avance durante a cúpula do Mercosul, quando os chefes de Estado devem definir o cronograma para a ratificação.
Apesar do otimismo, há incertezas. O presidente da Argentina, Javier Milei, ainda não havia confirmado presença até este domingo. Em julho, ele havia feito críticas ao Mercosul, afirmando que o grupo “prejudicava” a maioria dos cidadãos argentinos.
No início do mês, durante a cúpula da Celac, na Colômbia, Lula voltou a defender que Mercosul e União Europeia avancem simultaneamente no processo de adesão. Do lado europeu, o texto já foi apresentado pela Comissão Europeia, mas ainda precisa do aval do Parlamento Europeu e dos estados-membros.
Entre os países do Mercosul, o próximo passo é a aprovação interna pelos parlamentos nacionais. É esse movimento que o governo brasileiro quer impulsionar em dezembro, com a assinatura formal e o reforço político ao acordo.