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Lula rejeita imposições e defende negociação com os EUA sobre tarifas

18 de July de 2025 às 9:06
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Presidente diz que Brasil não aceitará taxação unilateral de produtos e sugere revisão de posicionamentos por parte de Donald Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o Brasil está disposto a negociar com os Estados Unidos, mas não aceitará imposições unilaterais, como a taxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, transmitida na quinta-feira (17) pela CNN Internacional.

“O Brasil não aceitará nada que lhe seja imposto. Aceitamos negociação e não imposição”, disse Lula. Segundo ele, o governo brasileiro está há meses tentando negociar com os EUA e chegou a encaminhar propostas, mas não recebeu resposta por vias diplomáticas. “Enviamos as propostas, mas em vez de nos responderem, vimos notícias com as falas dele feitas fora da via diplomática.”

Lula sugeriu que Trump “reveja alguns de seus posicionamentos”, especialmente em relação a interferências nos assuntos internos do Brasil.

O presidente afirmou que os dois países têm uma relação histórica e que qualquer negociação precisa ocorrer com respeito mútuo. “O que não queremos é ser feitos de reféns. Queremos ser livres”, afirmou, acrescentando que não tem interesse em se afastar dos Estados Unidos, nem em promover confrontos. “Eu respeito (o Trump), mas também quero ser respeitado.”

Segundo Lula, ele tem discutido o tema com empresários e representantes do setor agropecuário. Caso as negociações não avancem, o Brasil poderá acionar a Lei de Reciprocidade, que autoriza medidas comerciais contra países que adotem barreiras unilaterais a produtos brasileiros. “Daremos uma resposta, mas tentaremos primeiro uma solução final pela via diplomática.”

O presidente também ressaltou que sempre manteve boas relações com presidentes anteriores na Casa Branca, destacando a mudança no tom atual. Lula afirmou que a justificativa de Trump para a imposição das tarifas, alegando prejuízo comercial aos norte-americanos, não corresponde à realidade.

Questionado sobre as dificuldades de negociação entre líderes de correntes políticas diferentes — Lula, da esquerda, e Trump, conservador — o presidente brasileiro afirmou que, independentemente das ideologias, ambos são chefes de Estado eleitos pelo povo. “Não sou um presidente progressista. Sou o presidente do Brasil. Não vejo o presidente Trump como um presidente de extrema-direita. Vejo-o como o presidente dos EUA. Ele foi eleito pelo povo americano.”

Presidente Lula usou boné com a frase: “o Brasil é dos brasileiros”. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Bolsonaro e papel da ONU

Lula comentou a carta enviada por Trump ao governo brasileiro, na qual o norte-americano afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria sendo perseguido e que o Brasil não estaria respeitando seu ex-mandatário. Para Lula, o conteúdo representa uma interferência indevida. “É inaceitável interferência dos EUA em assuntos internos do Brasil”, disse.

Ao ser questionado sobre o julgamento de Bolsonaro, Lula afirmou que o processo está sendo conduzido pela Justiça. “Não sou eu quem acusa (Bolsonaro). É a Corte Suprema”, declarou. Segundo ele, uma das acusações é de que a trama golpista envolvia até o planejamento de seu assassinato. Lula disse ainda que também foi julgado pela mesma Corte, mas que jamais cogitou qualquer tipo de levante, mesmo após ter perdido três eleições.

“O Brasil merece respeito, e o Trump precisa nos respeitar, assim como nós respeitamos os EUA”, afirmou. “Trump foi eleito para governar os EUA, e não o mundo.”

Lula considerou positiva a disposição manifestada por Trump para negociar o fim dos conflitos na Ucrânia e em Gaza. No entanto, criticou a notícia de que os Estados Unidos pretendem aumentar os gastos com armamentos. “O mundo precisa de comida. Não de armas”, afirmou.

Ele também voltou a criticar o papel da Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente do Conselho de Segurança, na mediação de conflitos. “Sem interlocutores, as guerras continuarão como acontece em Gaza. Todo dia tem notícias de novos bombardeios. Os membros (do Conselho de Segurança da ONU) precisam se juntar, inclusive para dizer que não estão tendo condições de encontrar soluções.”

 

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TAGS Lula tarifa eua Trump
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