Transportes
Maranhão Day destaca desafios logísticos e projetos de expansão portuária
Participantes defenderam investimentos em infraestrutura e discutiram medidas para ampliar a capacidade de transporte e escoamento da produção
Investimentos em logística, ampliação da capacidade portuária e gargalos de infraestrutura dominaram os debates do Maranhão Day, realizado no último dia 27, em Brasília. O encontro reuniu representantes dos governos federal e estadual, parlamentares, empresários e executivos dos setores portuário e ferroviário para discutir projetos considerados prioritários para o desenvolvimento econômico do estado.
Entre os principais temas debatidos estiveram a ampliação da capacidade logística do estado, as condições das rodovias federais que dão acesso ao Porto do Itaqui, os investimentos previstos para os setores ferroviário e portuário e a proposta de criação da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim, que gerou críticas de representantes da indústria.
Promovido pela Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) e pelo Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), o evento contou com a participação de representantes da Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP), do Ministério de Portos e Aeroportos, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Vale, da VLI, da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), da Investe Maranhão e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) Maranhão.
Ao longo da programação, representantes do setor produtivo apontaram a situação das rodovias federais que ligam áreas produtoras ao Porto do Itaqui como um dos principais obstáculos ao crescimento econômico do estado. Segundo empresários e dirigentes industriais, a precariedade de trechos das BRs eleva custos logísticos, dificulta o escoamento da produção e reduz a atratividade do Maranhão para novos empreendimentos.
O Porto do Itaqui foi um dos temas centrais das discussões. Durante o encontro, Mauro Sammarco, presidente do Conselho de Administração do IBI, destacou a importância do terminal para a logística nacional e para a economia maranhense, enquanto a presidente da EMAP, Oquerlina Costa, apresentou projetos de expansão da infraestrutura portuária e perspectivas de crescimento da movimentação de cargas nos próximos anos.
O secretário nacional de Portos, Alex Ávila, abordou os desafios relacionados ao desenvolvimento da atividade portuária na região e as perspectivas de expansão dos terminais instalados no estado. Já a diretora da Antaq, Cristina Castro, tratou de temas ligados à segurança jurídica, à regulação ambiental e à participação da iniciativa privada em projetos de infraestrutura.
A integração entre porto, ferrovia e indústria também esteve no centro dos debates. Executivos da VLI e representantes da Vale apresentaram projetos voltados à ampliação da capacidade logística e ferroviária do Maranhão. O CEO da VLI, Fábio Marchiori, participou dos painéis sobre integração entre corredores de exportação, ferrovias e instalações portuárias.
ZPE
Outro tema abordado foi o potencial da Zona de Processamento de Exportação do Maranhão para atração de investimentos industriais. A presidente da ZPE Maranhão, Rakel Murad, destacou a localização da estrutura, os incentivos disponíveis e as possibilidades de integração com a malha logística do estado, formada pelo Porto do Itaqui e pelos corredores ferroviários que conectam o Maranhão a outras regiões do país.
A proposta de criação da Reserva Extrativista Tauá-Mirim, em área próxima ao Complexo Portuário do Itaqui, foi um dos assuntos que geraram maior debate entre os participantes. Parlamentares e representantes da indústria manifestaram preocupação com possíveis impactos econômicos e operacionais decorrentes da medida.
O deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União-MA) e dirigentes da FIEMA e do Centro das Indústrias do Maranhão (CIEMA) defenderam a revisão da proposta. Segundo eles, a criação da unidade de conservação nos moldes atuais poderia limitar projetos de expansão portuária e a instalação de novos empreendimentos industriais na região.
O vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do CIEMA, Cláudio Azevedo, representou o presidente da federação, Edilson Baldez, nas discussões. De acordo com ele, ao final do encontro, o presidente do IBI, Mário Povia, e o presidente da FPPA, deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP), manifestaram apoio às preocupações apresentadas pelo setor produtivo em relação à Resex e informaram que encaminhariam ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) um posicionamento refletindo os temas discutidos durante o evento.