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Jornal BE News - Edição de Hoje

Centro-Oeste Export

Minerais críticos colocam Centro-Oeste no mapa da transição energética

Atualizado em: 16 de July de 2026 às 16:59
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

Região concentra projetos de terras rara, atrai investimentos bilionários e terá desafios logísticos debatidos no Centro-Oeste Export

O avanço dos projetos de minerais críticos colocou o Centro-Oeste em uma posição estratégica na cadeia global da transição energética. Tradicionalmente reconhecida pela força do agronegócio, a região passou a concentrar empreendimentos de cobre, níquel, nióbio e terras raras, matérias-primas consideradas essenciais para tecnologias como turbinas eólicas, motores elétricos, baterias, veículos eletrificados e sistemas de transmissão de energia.

O potencial mineral e os desafios de infraestrutura para transformar esses recursos em desenvolvimento econômico estarão entre os temas debatidos durante o Centro-Oeste Export, que será realizado nos dias 23 e 24 de julho, em Rio Verde (GO). O evento reunirá representantes dos setores público e privado para discutir logística, mineração, infraestrutura e transição energética.

Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), a produção mineral do Centro-Oeste alcançou R$ 25,8 bilhões em 2025, crescimento de 8,8% em relação ao ano anterior e equivalente a cerca de 8% da produção mineral brasileira. A arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) chegou a R$ 420,4 milhões, com Goiás respondendo por pouco mais da metade desse valor, impulsionado principalmente pela produção de cobre, níquel e nióbio.

O estado consolidou-se como um dos principais polos brasileiros de minerais estratégicos ligados à transição energética, com operações de empresas como Lundin Mining, Anglo American e CMOC. Goiás também abriga, em Minaçu, o projeto Serra Verde, uma das poucas operações de terras raras em argilas iônicas fora da Ásia.

O empreendimento reforça o interesse internacional pelos recursos minerais brasileiros, considerados estratégicos para diversificar a cadeia global de fornecimento de terras raras, atualmente concentrada em grande parte na China.

Novos projetos ampliam potencial mineral

Além das operações já existentes, novos empreendimentos voltados às terras raras avançam em Goiás.

Entre eles está o Projeto Carina, da Aclara Resources, em Nova Roma, que prevê investimentos de aproximadamente US$ 780,9 milhões até 2029 e produção média estimada de 4.498 toneladas anuais de óxidos de terras raras. Também há projetos em desenvolvimento em Iporá, conduzidos pela Alvo Minerals e pela Appia Rare Earths & Uranium.

Segundo informações apresentadas pelas empresas à ANM, entre 2023 e 2025 foram investidos R$ 6,7 bilhões em minerais críticos e estratégicos no Brasil. Desse total, 88,6% foram destinados à operação de minas e 11,4% às atividades de pesquisa mineral.

O ambiente de investimentos também vem sendo impulsionado por políticas públicas, como a criação da Autoridade Estadual de Minerais Críticos de Goiás (AMIC-GO), a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, além de iniciativas de financiamento voltadas ao setor.

Entre elas estão um fundo garantidor de R$ 2 bilhões e uma chamada pública de R$ 5 bilhões lançada pelo BNDES e pela Finep para apoiar projetos relacionados à transição energética.

Potencial regional depende de integração

Embora Goiás concentre grande parte dos projetos ligados aos minerais críticos, a ANM destaca que o avanço do setor depende da integração entre os estados do Centro-Oeste.

Mato Grosso possui potencial em minerais polimetálicos, enquanto Mato Grosso do Sul abriga o Maciço do Urucum, uma das principais áreas minerais do país, com reservas relevantes de manganês e minério de ferro.

Após a aquisição das minas pela LHG Mining, do grupo J&F, a produção da região gira em torno de 15 milhões de toneladas de minério de ferro e manganês. O principal desafio, porém, permanece sendo a logística.

A expansão da Ferrovia Malha Oeste, além de investimentos em hidrovias e estruturas portuárias, é considerada fundamental para reduzir custos, ampliar a competitividade e facilitar o acesso aos mercados consumidores.

Infraestrutura ainda é gargalo

Apesar do crescimento dos investimentos, a infraestrutura continua sendo apontada como um dos principais desafios para consolidar o Centro-Oeste como polo da transição energética.

Atualmente, parte significativa da produção mineral depende do transporte ferroviário pelas malhas Centro-Atlântica e Norte-Sul até portos como Santos (SP) e Vitória (ES). Limitações de capacidade, custos operacionais e necessidade de melhorias na infraestrutura reduzem a competitividade do setor.

Paralelamente, a região também amplia investimentos em bioenergia, criando novas demandas por infraestrutura integrada entre mineração, agroindústria e produção de combustíveis renováveis.

Entre os projetos está a nova unidade da Inpasa em Rio Verde, investimento estimado em R$ 2,4 bilhões, que será a primeira planta da companhia em Goiás. A Embrapa também desenvolve o projeto Bioinova, financiado com recursos da Finep, voltado à produção de biometano, biohidrogênio, bioinsumos e novas rotas de aproveitamento da biomassa.

Para a ANM, o desafio é integrar as cadeias da mineração, da agroenergia e dos biocombustíveis, combinando investimentos em infraestrutura ferroviária, energética e logística para transformar o potencial mineral da região em ganhos permanentes de competitividade e desenvolvimento econômico.

PROGRAMAÇÃO (sujeita a alterações e confirmações)

23 | JULHO

8h30 – Credenciamento

9h00 – Boas-vindas Rio Verde/GO
* Fabricio Guimarães Julião, CEO do Grupo Brasil Export
* Wellington Carrijo, Prefeito de Rio Verde
* Lucas do Vale, Deputado Estadual
* José Roberto Campos, Presidente do Conselho Nacional do Brasil Export
* Rodrigo Vilaça, Presidente do Conselho do Centro-Oeste Export
* Cabo Moraes, Presidente da Câmara Municipal de Rio Verde
* Alberto Barella Neto, Reitor da Universidade de Rio Verde
Demais autoridades a confirmar

9h30 – InfraJur – Encontro de Direito de Logística, Infraestrutura e Transportes
Apresentações
* Celso Peel, Coordenador Científico do Conselho Jurídico do Brasil Export e Desembargador do TRT 1a. Região
* Marcel Stivaletti, Sócio da Ruy de Mello Miller Advocacia – Tema: Como proteger a margem do agronegócio contra retenções e tarifas indevidas na exportação

 

10h00 – Painel: O papel das políticas públicas e do mercado financeiro no desenvolvimento do agronegócio na região Centro-Oeste

Moderação: Thiago Meirelles, Sócio CEO da AVREN
Debatedores:
* Guilherme Rick, especialista em Mercado de Capitais
* Irajá Lacerda, ex Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Demais debatedores a confirmar

10h45 – Intervalo

11h15 – Painel: Infraestrutura de transportes e o agronegócio na região Centro-Oeste

A situação das rodovias concedidas abordando importantes trechos envolvendo BR-153, BR-060 e outras
O desenvolvimento da malha ferroviária na região
A infraestrutura de armazenagem da produção do Centro-Oeste
Os planos de concessão de hidrovias na região e no Arco Norte
Moderação: Bruno Merlin, Diretor de Comunicação do Grupo Brasil Export
Debatedores
* Edson Souki, CEO da Granel Química/Odfjell Terminals
* Fernanda Araújo, Sócia do Araújo & Araújo Advogados
* Lilian Campos, Superintendente de Inteligência de Mercado da Infra S.A.
* Natalia Marcassa, Vice-Presidente de Regulação e Relações Institucionais da Rumo Logística
* Otto Luiz Burlier, Secretário Nacional de Hidrovias e Navegação
Demais debatedores a confirmar

12h15 – Encerramento do período da manhã

14h30 – Momento PIANC – The World Association for Waterborne Transport Infrastructure
Apresentação: Jacqueline Wendpap, Diretora Executiva do Instituto Praticagem do Brasil

14h45 – Painel PIANC: A importância da Barra Norte para a competitividade da exportação da produção do Centro-Oeste

Otimização do calado da Barra Norte e janelas de maré
Investimentos privados nos terminais da região
Políticas públicas e o impacto de fenômenos climáticos na navegabilidade da região
Moderação: Leopoldo Figueiredo, Diretor-Geral da Rede BE News
Debatedores
* Edson Mesquita dos Santos, Gerente de Pesquisa e Análise do Instituto Praticagem do Brasil
* Murillo Barbosa, Diretor-Presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP)
* Rui Lourenço, Gerente Comercial e Desenvolvimento de Negócios da Santos Brasil

 

15h30 – Painel: Terminais e portos que operam as cargas produzidas no Centro-Oeste

O papel estratégico dos portos das regiões Nordeste e Sudeste para o escoamento da produção do Centro-Oeste
Investimentos em expansão de capacidade de terminais e de corredores logísticos para o escoamento da produção via Arco Norte
Como a FIPS está agindo para absorver o crescimento da safra do Centro-Oeste e garantir a previsibilidade na chegada das cargas aos terminais de Santos
Questões tributárias e administrativas que impactam na competitividade da movimentação de grãos nos portos e terminais
Moderação: Leopoldo Figueiredo, Diretor-Geral da Rede BE News
Debatedores
* Beto Mendes, Diretor de Operações da Autoridade Portuária de Santos
* Bruno Cesar Brito, Diretor-Executivo do Grupo Agemar (SUA Graneis)
* Flávio Vieira, Diretor-Presidente da Portos Rio
* Rafael Hipólito, CFO da Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS)

16h15 – Intervalo

16h30 – Painel InfraESG | Corredores logísticos sustentáveis

A multimodalidade e a criação de corredores de exportação mais eficientes e de menor pegada de carbono para o Centro-Oeste
O papel do poder público na regulação de contratos e na atração de investimentos voltados ao desenvolvimento sustentável
Boas práticas de mediação de conflitos em cidades que crescem aceleradamente ao redor de terminais logísticos
Moderação: Ana Beatriz Rodrigues Castro, Chefe de Gabinete da Superintendência de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da ANTT
Debatedores
* Clézio Ribeiro, Coordenador de Sustentabilidade da Ecovias Araguaia
* Álvaro Oliveira, Gerente Executivo de Operações da Rumo Logística
* Denimarcio Borges de Oliveira, Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Prefeitura de Rio Verde

17h15 – Painel: Multimodalidade e eficiência logística na região Centro-Oeste

Soluções integradas e regulação para o escoamento da produção
Como a multimodalidade pode contribuir para reduzir o Custo Brasil no escoamento de commodities e insumos
Caminhos para otimizar o fluxo de retorno dos contêineres e vagões
Moderação: Marcella Cunha, Diretora-Executiva da ABOL
Debatedores
* Marcos Vilela, CEO da Bravo Serviços Logísticos
* Daniel Salcedo, Diretor Comercial da Brado

18h00 – Painel IBL
* Otto Luiz Burlier, Secretário Nacional de Hidrovias e Navegação
* Rubens Otoni, Deputado Federal e Presidente da Câmara Temática de Mobilidade Urbana da FRENLOGI
* Marussa Boldrin, Deputada Federal natural de Rio Verde
* Dr. Ismael Alexandrino, Deputado Federal

18h45 – Solenidade de encerramento

19h30 – Coquetel
Oferecimento: AVREN

24 | JULHO

8h15 – Saída do transporte oficial do Prime Hotel Rio Verde

9h00 – Visita técnica ao terminal da Granel Química em Santa Helena de Goiás

11h00 – Visita técnica ao terminal da Rumo em Rio Verde

12h30 – Encerramento das atividades

 

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TAGS Agência Nacional de Mineração Centro-Oeste Export Goiás mineração
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