Transportes
MSC amplia liderança global no transporte marítimo de contêineres
Companhia respondeu por 39% do crescimento de capacidade das 12 maiores operadoras do mundo em 2025 e voltou a aumentar a distância em relação à Maersk
A Mediterranean Shipping Company (MSC) ampliou de forma expressiva sua liderança no ranking global do transporte marítimo de contêineres em 2025, consolidando-se como a maior companhia de navegação do mundo em capacidade instalada. O avanço ocorreu em um ano marcado por crescimento relevante do setor: as 12 operadoras que controlam individualmente mais de 1% da frota mundial elevaram sua capacidade combinada em 7,3%, segundo dados da Alphaliner.
A Alphaliner é uma consultoria internacional especializada no acompanhamento do mercado de transporte marítimo de contêineres. Reconhecida no setor, a empresa monitora frotas, encomendas de navios, capacidade instalada e movimentações estratégicas das principais companhias de navegação, servindo como referência para análises de mercado e rankings globais.
De acordo com o levantamento, as principais transportadoras adicionaram, juntas, 2,14 milhões de TEU às suas frotas ao longo de 2025. Desse total, a MSC respondeu por 831.400 TEU, o equivalente a 39% de todo o crescimento registrado entre as 12 maiores operadoras globais. Para a companhia sediada em Genebra e controlada pela família Aponte, esse incremento representou uma expansão anual de 11,7% em relação à capacidade registrada no ano anterior.
Com esse desempenho, a distância entre a MSC e a Maersk, segunda colocada no ranking mundial, voltou a aumentar. Ao final de 2025, a diferença entre as duas companhias alcançou 2,5 milhões de TEU, frente a um hiato de 1,9 milhão de TEU observado no ano anterior. O movimento reforça a posição isolada da MSC na liderança do setor, em um mercado caracterizado por elevada concentração e competição intensa entre os grandes grupos globais.
O crescimento observado em 2025 não é um episódio pontual na trajetória recente da MSC. A companhia já havia liderado as expansões de frota em anos anteriores, com aumentos de capacidade de 10,3% em 2024, 22,0% em 2023, 7,5% em 2022 e 10,7% em 2021. Essa sequência indica uma estratégia de crescimento sustentado ao longo de diferentes fases do ciclo do mercado de transporte marítimo, combinando investimentos em novas embarcações e aquisições no mercado secundário.
Em 2025, a ampliação da frota da MSC foi impulsionada principalmente pela entrada em operação de novas construções. A companhia recebeu 54 navios recém-saídos dos estaleiros, que adicionaram 695.185 TEU à sua capacidade total. Além disso, segundo a análise da Alphaliner, o restante do crescimento — dentro do total de 831.400 TEU incorporados no ano — decorreu majoritariamente da continuidade da estratégia de compras de navios no mercado de segunda mão, prática que tem permitido à empresa expandir rapidamente sua presença operacional.
Crescimento
Outras companhias de navegação também registraram crescimento acima da média do mercado em 2025. A Evergreen ampliou sua capacidade em 10,2%, a sul-coreana HMM cresceu 12,8%, a taiwanesa Wan Hai avançou 9,4% e a PIL apresentou expansão de 13,4%. Em sentido oposto, a ZIM foi a única operadora entre as dez maiores do ranking global a reduzir sua capacidade no ano, com retração de 10,7%, após um período de forte expansão em exercícios anteriores. Como consequência, a companhia israelense caiu para a décima posição no ranking, enquanto a Yang Ming recuperou a nona colocação, mesmo com um crescimento mais moderado, de 1,5%.
O relatório destaca ainda que ZIM e Yang Ming foram as únicas entre as 12 maiores transportadoras globais que não incorporaram nenhuma embarcação nova ao longo de 2025. A ausência de entregas de novas construções ajuda a explicar o desempenho relativo dessas companhias frente a concorrentes que mantiveram presença mais ativa nos estaleiros e no mercado de compra de navios.
No bloco intermediário do ranking, a disputa entre Maersk e CMA CGM segue no radar do setor. A companhia francesa encerrou 2025 com capacidade de 4,13 milhões de TEU, reduzindo a distância em relação à Maersk, que atingiu 4,61 milhões de TEU. Enquanto a CMA CGM cresceu em linha com a média do mercado, com alta de 7,5%, a operadora dinamarquesa apresentou expansão mais contida, de 4,3%. Ainda assim, a Alphaliner avalia que, com base na atual carteira de encomendas de navios, não há expectativa de que a CMA CGM ultrapasse a Maersk em 2026.
Mais espaço de carga
Além das variações percentuais, a consultoria chama atenção para a magnitude absoluta do crescimento da MSC. Segundo a Alphaliner, em apenas um ano a companhia acrescentou à sua frota mais espaço de carga do que a capacidade total combinada de duas concorrentes relevantes, Yang Ming e ZIM. A análise também aponta que a MSC mantém a maior carteira de encomendas do setor, com 114 navios em construção que somam mais de 2 milhões de TEU de capacidade adicional, fator que reforça a projeção de manutenção da liderança no longo prazo.
Sob a ótica do perfil da frota, 2025 foi marcado por uma incorporação relativamente limitada de navios da categoria megamax, caracterizada por embarcações de porte extremo e elevada capacidade individual. Dos 170 novos navios porta-contêineres recebidos pelas 12 maiores transportadoras ao longo do ano, apenas oito se enquadraram nessa classe. De acordo com a Alphaliner, o crescimento da frota em 2025 foi impulsionado principalmente pela entrega de navios da categoria Neopanamax, que oferecem ganhos de eficiência operacional, maior flexibilidade de rotas e compatibilidade com uma gama mais ampla de portos, em detrimento de uma aposta exclusiva em unidades de tamanho máximo.