Navegação
Navegação levará urnas para comunidades remotas nas Eleições de 2026
No Amazonas e no Pará, milhares de equipamentos serão transportados por embarcações até locais de votação onde o acesso terrestre é limitado ou inexistente
Nas Eleições de 2026, milhares de urnas eletrônicas chegarão a comunidades remotas da Região Norte pelo caminho dos rios. No Amazonas, aproximadamente 4 mil seções eleitorais dependem exclusivamente do transporte fluvial. No Pará, 400.536 eleitores ribeirinhos estão aptos a votar, enquanto 622 das 1.691 seções consideradas ribeirinhas só podem ser acessadas por via fluvial. Em muitos casos, a operação envolve viagens de horas ou dias e a combinação de embarcações, veículos terrestres e aeronaves.
No Amazonas, 467 urnas eletrônicas foram transportadas de Manaus para municípios e comunidades do interior. O percurso mais longo supera 1,5 mil quilômetros até Tabatinga, no extremo oeste do estado, e pode durar aproximadamente sete dias.
A operação é planejada com antecedência para definir rotas, selecionar embarcações, calcular os tempos de deslocamento, acompanhar o nível dos rios e estabelecer alternativas para os trechos em que a navegação não seja possível.
Em alguns percursos, as urnas passam por diferentes meios de transporte até chegar aos locais de votação. A viagem pode começar em uma embarcação de maior porte, continuar em barcos menores e terminar por via terrestre ou aérea.
Uma viagem de mais de 1,5 mil quilômetros
No Amazonas, o transporte fluvial está presente em diferentes etapas. As embarcações levam urnas aos polos de distribuição, transportam materiais para os municípios e fazem o deslocamento de equipamentos, equipes e alimentação das sedes municipais até as comunidades rurais.
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), aproximadamente 4 mil seções eleitorais dependem exclusivamente da navegação.
O Amazonas possui ainda 49 comunidades classificadas pela Justiça Eleitoral como locais de difícil acesso. Para chegar a essas áreas, a operação pode recorrer a aviões ou helicópteros, conforme a disponibilidade das aeronaves e as condições de cada percurso.
Na primeira remessa, além das 467 urnas eletrônicas, foram transportadas cabines de votação, baterias, cabos, sacolas, cadernos de votação e outros materiais necessários às eleições.
Mais de 400 mil eleitores ribeirinhos no Pará
No Pará, 400.536 eleitores ribeirinhos estão aptos a votar em 2026. O número representa 6,39% do eleitorado estadual, estimado atualmente em 6.265.355 pessoas.
Das 22.072 seções eleitorais do estado, 1.691 são consideradas ribeirinhas. Entre elas, 622 só podem ser acessadas por via fluvial.
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), 3.299 urnas eletrônicas serão transportadas por embarcações. Ao todo, 69 municípios dependem total ou parcialmente do transporte hidroviário para a realização das eleições.
A operação prevê ainda a mobilização de 4.310 veículos terrestres e fluviais para o transporte de pessoas, urnas, materiais e demais equipamentos necessários à votação.
A distribuição utiliza embarcações de diferentes portes, veículos terrestres e aeronaves. Em determinadas localidades, o transporte fluvial cobre a maior parte do percurso. Em outras, as urnas e as equipes seguem de barco até um ponto onde o deslocamento precisa continuar por terra ou pelo ar.
A estrutura permite alcançar comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e outras localidades de difícil acesso da Amazônia paraense.
Cheias, secas e marés alteram as rotas
As condições dos rios influenciam diretamente as rotas, o tipo de embarcação e o tempo das viagens. Durante a seca, a redução da profundidade e o surgimento de bancos de areia podem restringir ou impedir a circulação de barcos de médio e grande porte.
Nessas situações, embarcações menores e de menor calado, como as rabetas, podem substituir os barcos inicialmente previstos. Em determinados trechos, equipamentos e equipes também podem seguir em triciclos, veículos de tração animal ou até mesmo a pé.
A mesma rota pode apresentar condições diferentes ao longo do ano. Um trecho percorrido por uma embarcação de maior porte durante a cheia pode exigir um barco menor no período de vazante.
A cheia também pode dificultar a operação. O aumento da correnteza e outras alterações nas condições de navegabilidade exigem atenção e podem tornar os deslocamentos mais complexos. No Pará, o regime de marés acrescenta outra variável ao planejamento, já que as oscilações no nível das águas podem alterar as condições de acesso e dificultar a previsão da duração dos percursos.
Por isso, a operação exige acompanhamento das condições de navegabilidade, definição de rotas alternativas e articulação com forças de segurança e estruturas de apoio aos transportes fluvial, terrestre e aéreo.