Comércio exterior
Nova rota entre Amapá e Guangdong reduz viagem entre Brasil e China
Conexão direta pelo Porto de Santana amplia oportunidades comerciais com a maior província econômica chinesa
Uma nova rota marítima encurta em duas semanas o trajeto entre o Porto de Santana, no Amapá, e a região da Grande Baía de Guangdong, na China. A ligação direta, ainda em fase experimental, deve abrir espaço para aumentar as exportações brasileiras e consolidar Santana como ponto estratégico no comércio com o mercado asiático.
A iniciativa foi tema da reunião realizada na sexta-feira (15) entre o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e o vice-governador de Guangdong, Zhang Hu, em Guangzhou.
Durante o encontro na cidade chinesa, o ministro destacou que a nova ligação abre espaço para diversificar a pauta de exportações brasileiras. “Devemos utilizar todas as possibilidades de cooperação no comércio para ampliar essa lista, indo além da soja, do café e da carne, com produtos que também despertam o interesse dos chineses, como açaí, cacau, mel, chá, champanhe, vinho e café”, afirmou.
Guangdong é a província que lidera o Produto Interno Bruto chinês e concentra algumas das maiores empresas com presença no Brasil, em setores como o automobilístico, industrial e de tecnologia da informação. Para Góes, a experiência da Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau pode servir de modelo em áreas como bioindústria, infraestrutura sustentável e inovação.
O vice-governador Zhang Hu reforçou o interesse em ampliar a integração logística com o Brasil. “Essa rota ainda está em fase experimental, mas Guangdong está disposta a fortalecer a conexão portuária e marítima do lado do Brasil, otimizando o layout das rotas e elevando a existência logística”, declarou.
Parcerias entre os países
Além da rota, Brasil e China lançaram a Plataforma Integrada de Serviços Econômicos e Comerciais Sino-Latino-Americana, desenvolvida pela empresa chinesa Zhuhai Sino-Lac em parceria com a Companhia Docas de Santana. A proposta é simplificar processos comerciais, reduzir barreiras e estimular a cooperação em logística estratégica.
Outro passo foi a criação da Comunidade Brasil–China de Futuro Compartilhado para um Mundo Mais Justo e um Planeta Mais Sustentável. A iniciativa, apoiada pela Casa Civil e pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC), busca alinhar programas brasileiros, como o Novo PAC, o Nova Indústria Brasil e o Plano de Transformação Ecológica, à estratégia chinesa Cinturão e Rota.
Para o ministro brasileiro, o momento é propício para aprofundar a parceria. “O Brasil e a China estão vivendo, depois de décadas, um dos melhores momentos de cooperação. São mais de cinquenta instrumentos de cooperação, nas mais diferentes áreas, construídos pelo presidente Lula e pelo presidente Xi Jinping”, ressaltou.