Rodovias
Novo modelo de CNH supera 2 milhões de emissões
Programa lançado em dezembro amplia acesso digital, reduz etapas e projeta impacto econômico de quase R$ 10 bilhões
O ministro dos Transportes, George Santoro, e o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, detalharam nesta quinta-feira (10) os novos indicadores do programa CNH do Brasil, lançado em dezembro de 2025. Nos primeiros nove meses da iniciativa, até agosto de 2026, foram emitidos mais de 2 milhões de documentos, aumento de 17,1% e acréscimo de 292.639 condutores em relação ao mesmo período do ano passado.
A digitalização e a centralização do processo na plataforma oficial do Governo Federal registraram mais de 7,3 milhões de requerimentos de primeira habilitação. A plataforma reúne em um único ambiente etapas da jornada para obtenção do documento, com soluções desenvolvidas pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Segundo o Governo Federal, as mudanças representam impacto econômico estimado em quase R$ 10 bilhões, considerando curso teórico, formação prática, renovação do documento, exames médicos e psicológicos e deslocamentos evitados.
Abertura de processos
Dos mais de 7,3 milhões de requerimentos para abertura do processo de primeira habilitação, a maior alta ocorreu no Amapá. Santa Catarina registrou a menor variação.
Inclusão feminina
Entre as mulheres, o número de entradas no processo cresceu 18%, de 1.056.960 em 2025 para 1.246.979 em 2026, acréscimo de 190.019. O Nordeste registrou a maior alta, de 54,7%, seguido pelo Norte, com 31,9%.
Curso teórico
Com a oferta gratuita e digital do curso teórico, foram realizados 4.386.463 cursos até agosto de 2026, ante 1.981.304 no mesmo período de 2025, crescimento de 121,4%, com 2.405.159 registros adicionais.
O Amapá teve a maior expansão, de 296,4%, enquanto Tocantins registrou a menor variação, de 63,5%.
Formação prática
As mudanças na formação de condutores reduziram de 20 para duas horas a carga mínima de aulas práticas e permitiram a contratação de instrutores autorizados pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans). O número de cursos cresceu 34,7%, de 3,1 milhões para 4,18 milhões.
Instrutores autorizados
Em 2026, 552.994 dos 4.182.803 cursos foram conduzidos por instrutores autônomos autorizados, equivalente a 13,2% do total. Os centros de formação responderam por 86,8%.
A modalidade teve maior participação no Norte (30,7%) e no Nordeste (27,4%), seguidos por Centro-Oeste (7,4%), Sudeste (5,4%) e Sul (3,3%).
Impacto econômico
O Governo Federal estima em R$ 9,64 bilhões o impacto econômico das mudanças na CNH do Brasil. O cálculo considera curso teórico gratuito (R$ 2,94 bilhões), formação prática (R$ 4,57 bilhões), exames médico e psicológico (R$ 414,6 milhões), renovação automática para bons condutores (R$ 1,44 bilhão) e deslocamentos evitados (R$ 278,7 milhões).
Neste último caso, o cálculo usou o transporte público como referência e as antigas cargas horárias dos cursos, considerando os gastos relacionados ao número de dias de deslocamento.
Segurança viária
Até agosto de 2026, a proporção de novos motoristas com infrações ficou em 0,54%, com 11.938 ocorrências entre 2.212.108 habilitados, ante 2,36%, com 42.208 registros entre 1.788.139 condutores, no mesmo período do ano anterior. A comparação representa redução de 77,1% na incidência.
Tempo médio
O tempo médio para concluir o processo de habilitação caiu nas 27 unidades da Federação. A maior redução ocorreu no Sul (-42,4%), seguido por Norte (-40,5%), Nordeste (-34,6%), Centro-Oeste (-29,3%) e Sudeste (-20,5%).
Faixa etária
O aumento das primeiras habilitações também alcançou faixas etárias mais altas. Desde o lançamento do programa, o maior crescimento ocorreu entre pessoas com 55 anos ou mais (+53,4%), seguido pelos grupos de 45 a 54 anos (+37,4%), 35 a 44 anos (+29,7%) e 25 a 34 anos (+21,3%). Entre os mais jovens, a variação foi de 11,9% na faixa de 18 a 20 anos e de 6,6% entre 21 e 24 anos.
Novas funcionalidades
O aplicativo CNH do Brasil também reúne serviços de trânsito. Entre eles está a consulta ao Free Flow, que permite verificar passagens por pórticos de pedágio eletrônico, valores cobrados e débitos pendentes. A funcionalidade está disponível para usuários de 14 concessionárias que operam com o sistema.
A plataforma oferece ainda a credencial digital de estacionamento, com 2.621.956 emissões: 2.590.344 para idosos (98,8%) e 31.612 para pessoas com deficiência (1,2%).
Outra funcionalidade prevista para novembro é a transferência eletrônica de veículos, regulamentada pela Resolução Contran nº 1.027/2026.