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O homem certo, no lugar certo

Atualizado em: 17 de January de 2026 às 14:12
Ivani Cardoso Enviar e-mail para o Autor
Armando Bisneto, Suape

Armando Bisneto, presidente do complexo portuário de Suape

O slogan “Do Brasil para o mundo” é uma realidade no Complexo Industrial Portuário de Suape. O advogado e bacharel em Ciências Contábeis Armando Monteiro Bisneto, 44 anos, assumiu a presidência da estatal portuária pernambucana em abril de 2025 e, desde então, a expansão e os novos projetos não param. Suape ficou na segunda posição no ranking do Índice de Gestão de Autoridade Portuária (IGAP), na sexta edição do prêmio Portos + Brasil.

Mesmo morando 25 anos em Brasília, com atuação em grandes escritórios na cidade e em São Paulo, Armando não perdeu o sotaque nem as raízes. Quando foi convidado pela governadora Raquel Lyra para assumir Suape ficou muito honrado e sentiu que era o momento de retornar à sua terra e às suas origens, contribuindo para o desenvolvimento local a partir de um camarote privilegiado para assistir à movimentação econômica do Estado.

Inicialmente, ele cursou Economia na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas logo percebeu que não era o que gostaria para a vida. O talento e vocação para o Direito Tributário, Empresário e Regulatório, Finanças Públicas, Direito Legislativo e a Contabilidade abriram as portas para as relações governamentais, reforçados pela premiação em rankings internacionais como o Leaders League, The Legal 500 e Best Lawyers.

Em Suape, reencontrou o fascínio pela atividade econômica e empresarial, atuando para trazer novos empreendimentos e fortalecer a parte da prospecção e de promoção econômica. Bisneto reconhece que o complexo está em uma fase de crescimento, mas comenta que o boom atual é diferente do início da construção da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). “Hoje o porto se prepara de forma consistente, junto com a Petrobras, para atender à grande demanda. A refinaria vai dobrar sua capacidade para 260 mil barris/dia, com investimentos na ordem de R$ 12 milhões, gerando 30 mil empregos e fortalecendo Suape como polo estratégico do refino nacional e líder na movimentação de granéis líquidos.”

Os números prometem: “Para se ter uma ideia, 60% da movimentação do nosso porto é de granéis líquidos. Estamos preparados para modernizar e expandir a estrutura dos dutos, dos silos de granéis, enfim, do próprio molhe de proteção (quarta e última etapa em andamento). Além disso, o complexo vem se consolidando como cluster de novas energias. A empresa Suape Energia tem a única termelétrica a etanol do Brasil. É uma tecnologia pioneira, da Wärtsilä, e demos entrada num pedido de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE). Vamos trabalhar este ano para obter esse decreto. A concretização desse projeto vai trazer outras empresas. Nós temos a política de só anunciar coisas concretas, para não gerar decepção.”

Entre os projetos mais consistentes em andamento no complexo está a implantação da primeira fábrica de e-metanol do Brasil, numa área de 10 hectares. O empreendimento da dinamarquesa European Energy, com investimentos de R$ 2 bilhões, já conta com a licença prévia, a primeira das três etapas do processo de licenciamento. Outro empreendimento atraído pelo Cluster Suape para Combustíveis de Baixo Carbono é a planta da GoVerde Holding, em uma área de 10 hectares, para produzir o mesmo tipo de combustível marítimo derivado do hidrogênio verde (H2V), com investimento previsto também de R$ 2 bilhões.

Os projetos impulsionam a economia limpa e a produção de combustíveis de baixo carbono. E ele conta: “Em Suape, teremos o primeiro terminal eletrificado da América Latina. Já temos o maior terminal público de contêineres do Norte e Nordeste, responsável por 50% de nossa receita, além de ser campeão de cabotagem com ligação entre quase todos os portos brasileiros e proximidade com grandes capitais.”

Armando explica que os grandes diferenciais do terminal pernambucano são contar com disponibilidade de água, capacidade de conexão ao sistema nacional, ser um porto de águas abrigáveis e profundas. O calado no canal externo é de 20 metros, favorecendo a entrada dos navios gigantes e já homologado pela Marinha do Brasil. Está em conclusão a dragagem do canal interno, que ser aprofundado para 16,2 metros. “Suape é o porto campeão de granéis líquidos no Norte e Nordeste e de contêineres, além de ser o maior hub de veículos na região. Só em 2025 movimentou 83.992 unidades, superando em 5% o ano anterior.”

Lembra que Suape foi criado há 47 anos por um grupo de pernambucanos com a visão de instalar no Litoral Sul do estado um porto-indústria para suprir as limitações do Porto de Recife. “Os fundadores se inspiraram nos complexos industriais e portuários de Marseille-Fos, na França, e de Kashima, no Japão. O sonho virou realidade e o complexo industrial portuário criou forma e passou a ocupar uma área de 17.300 hectares, entre os municípios do Cabo de Santo Agostinho e de Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. Ao contrário do que diziam na época, Suape se tornou âncora da preservação ambiental, com muitas ações voltadas ao meio ambiente, à comunidade e ao patrimônio histórico. Da área total do território, 59% compõem a Zona de Preservação Ecológica (ZPEC).

Não há limites para o sonho, como o diretor-presidente do porto ressalta: “Eu tenho uma tendência a não pensar muito longe. Entendo que primeiro é preciso consolidar o que pode ser feito nesse período breve que devo passar em Suape. Quero consolidar o equilíbrio entre o terminal público e o privado e outros grandes projetos que estão para se instalar em Suape, a exemplo do terminal de GLP, do terminal de regaseificação dos navios, de uma nova termoelétrica. Estamos vivendo um momento muito virtuoso, temos algumas prospecções em andamento que ainda não podemos falar.”

O segredo é ter uma equipe competente, escolhida com liberdade. “Eu adotei a postura de não demitir a equipe quando assumi. Primeiro, eu quis entender o panorama e o que percebi foi o seguinte: havia uma história do porto e que eu precisava recuperar essa história dos negócios, dos empreendimentos, de tudo. Depois, eu fui fazendo uma avaliação e alguns diretores permaneceram. Quero gerar um arquivo com muita informação para o próximo presidente. Hoje estou com a equipe muito bem ajustada, competente e que faz toda a diferença.”

Ainda há a construção do Arco Metropolitano do Recife, obra histórica e estruturadora do Governo de Pernambuco que impactará positivamente as operações logísticas de Suape; e a implantação de unidades da indústria farmacêuticas, para gerar empregos e abrir mercado para as exportações. O complexo inclui 90 empresas e mais de 30 mil postos de trabalho.

Fôlego para tanto, Armando tem, mas abre espaços na agenda para a vida familiar. Casado com Tarsila, tem dois filhos, Miguel e Armando José, que ainda estão morando em Brasília, por causa da escola. Eles adoram o Recife. “Nas férias, estão sempre por aqui. Gostam muito de visitar os lugares históricos. Sempre que posso estou com eles. A família é a minha maior alegria”. Suas dicas para o Recife incluem a rica gastronomia da cidade, como o restaurante Leite, o mais antigo e em funcionamento no Brasil (desde 1882), e o Bargaço, especializado em frutos do mar.

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