Internacional
O que está por trás das medidas tarifárias de Donald Trump
Professor de economia da Universidade George Washington, Maurício Moura, acredita que republicano age para ganhar atenção do mundo
O Brasil exportou no ano passado 305 produtos diferentes feitos com aço para 200 países. Mas os Estados Unidos, sozinhos, responderam por 44% das vendas. Mais da metade do que mandamos para os norte-americanos é de aço semiacabado. O produto vai para siderúrgicas, onde é beneficiado e se transforma em outros, como peças de automóveis, eletrodomésticos e tubulações.
Mais de 90% do aço cru usado nos Estados Unidos vem de outros países. Para o professor de economia da Universidade George Washington, que fica na capital norte-americana, Maurício Moura, os próprios consumidores norte-americanos são os mais prejudicados pelas tarifas de 25% impostas pelo presidente Donald Trump desde o último dia 12.
“O consumidor que paga as tarifas e, principalmente, é interessante dizer que muitos economistas apontam que talvez os mais prejudicados sejam os próprios eleitores republicanos. A base eleitoral de Trump é mais concentrada em estados pequenos e médios dos Estados Unidos, onde a industrialização foi prejudicada nos últimos anos, ou seja, tem muita pouca racionalidade nas medidas adotadas”, disse Moura.

O economista acredita que o presidente norte-americano já está sofrendo pressão por causa das medidas. “Ele sofre uma pressão enorme da indústria automobilística, que inclusive, ele recuou nas tarifas desse setor. Ele está sofrendo pressão do próprio Partido Republicano, porque, obviamente, senadores e deputados, estão vendo os seus estados prejudicado. E essa semana ele está sofrendo uma pressão do mercado de capitais, do mercado financeiro americano, porque a bolsa americana vem vivendo de preços bastante ruins”.
Maurício Moura afirma que, com as medidas, Donald Trump busca ganhar atenção de todo mundo. Uma política que já foi adotada na primeira gestão do republicano. “Ele não é movido pela política tradicional, por poder, por legado. É movido por atenção. Ele gera manchetes. Ele é um gerador de manchetes. E diferente de 2017, que tinha uma Casa Branca com um gabinete que freava algumas ideias, esse gabinete foi montado com uma premissa fundamental: você precisa ser leal às ideias do Trump, ou seja, não tem freio dentro do próprio gabinete dele para essa geração de ruído”, disse o economista.
O professor de economia acredita que o Brasil vai ter dificuldades para negociar diretamente com o governo norte-americano, porque a tarifa é para todos os países, o que dificulta a margem para discussões bilaterais. “O Brasil vai ter que sentar à mesa com outros países. E, obviamente, quando você tem vária partes envolvidas, a negociação fica muito difusa. Eu acho que esse talvez seja o grande desafio da diplomacia brasileira agora, mas eu não descarto que o Brasil vai sofrer tarifas gerais”, concluiu Moura.