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Jornal BE News - Edição de Hoje

Rodovias

O que significam os números das rodovias que cortam o Brasil

Atualizado em: 3 de January de 2026 às 10:48
Patrícia Fahlbusch Enviar e-mail para o Autor

Sistema de classificação indica tipo, orientação e função das estradas federais e estaduais que cruzam o país

As rodovias constituem o principal meio de transporte do território brasileiro. Entre as centenas de estradas federais que cruzam o país, uma delas se destaca pela extensão e importância histórica e econômica: a BR-116. É a maior rodovia nacional, com mais de 4.300 quilômetros, e liga a capital cearense Fortaleza a Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. O Brasil é cortado por mais de 1,7 milhão de quilômetros de estradas e rodovias, e tem a quarta maior malha do mundo em números absolutos.

No caso da malha federal, são quase 76 mil quilômetros de extensão total, identificadas por meio de letras e números. Nas rodovias federais, o nome sempre começa com a sigla BR na frente, seguida por três números. O primeiro número define qual é o tipo da rodovia, e os outros dois a posição, a partir da orientação da rodovia em relação à capital federal, Brasília, e aos limites norte, sul, leste e oeste.

Rodovias que começam com o algarismo 0, como a BR-060, ligam Brasília ao restante do país. São as rodovias radiais, que configuram um círculo em torno da capital federal. Sua numeração varia no sentido horário, a partir de Brasília. As que começam com o algarismo 1 são as longitudinais, ou seja, possuem orientação no sentido norte-sul. As rodovias com traçado no sentido transversal oeste-leste tem como primeiro algarismo o número 2. As rodovias diagonais começam pelo algarismo 3, e podem ser de dois tipos: orientadas na direção nordeste para a sudoeste ou no sentido noroeste para o sudeste. Por fim, as rodovias de ligação começam pelo algarismo 4. Elas geralmente ligam rodovias federais, ou pelo menos uma federal a cidades, pontos importantes, ou a fronteiras internacionais.

Entender a lógica por trás disso pode evitar complicações de percursos, já que há uma enorme quantidade de caminhos disponíveis na malha nacional. Os códigos são fundamentais para o processo de localização, segurança e organização das rodovias.

“A BR-101, por exemplo, que passa por todo o litoral, é bem famosa, ela é uma rodovia que pega o eixo Norte-Sul, então, por isso, ela recebe o primeiro número ‘um’, enquanto as transversais, que são Leste-Oeste, por exemplo, a BR-230, passa pelo Norte do país, ela recebe primeiro o número ‘dois’”, explicou Gean Franco, coordenador-geral de Planejamento e Pesquisa do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) de São Paulo.

Estaduais

As rodovias estaduais sempre começam com a sigla do estado, como SP para São Paulo, e RJ para Rio de Janeiro, por exemplo. O número é baseado e uma espécie de “marco zero”. As que apontam para as capitais tem número par, formado por três algarismos que representam o ângulo da rodovia em relação ao marco zero. As que estão no sentido contrário da capital tem número ímpar, calculado nos quilômetros de distância entre a rodovia e o marco zero.

“A rodovia vai ser de zero até 360, ou seja, ela é um ângulo, forma um ângulo de saída do marco zero da capital. Imagina que fosse um relógio, o ponteiro do relógio seria a indicação da rodovia, e o número que vai ter ali é o ângulo da rodovia”, disse Gean Franco.

Se alguém se perder em alguma rodovia por aí, pode ligar para o número 191, da Polícia Rodoviária Federal, que atua nas rodovias aquelas identificadas como BRs; e 198, para a Polícia Rodoviária Estadual, conforme as siglas dos estados.

“Hoje temos os dispositivos, as plataformas de navegação. Mas, essa codificação, essa classificação das rodovias dá autonomia para o motorista, para qualquer pessoa que esteja conduzido pela rodovia, para navegar de forma tranquila”, concluiu o coordenador-geral de Planejamento e Pesquisa do DER-SP. 

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