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“O trabalho me fez ganhar o mundo”

Atualizado em: 3 de May de 2025 às 10:32
Ivani Cardoso Enviar e-mail para o Autor

Desde cedo, a menina tranquila e estudiosa sabia que queria voar em várias direções e conhecer muitos lugares. Luiza Deusdará ultrapassou as fronteiras dos sonhos com um trabalho que permite viajar e ampliar horizontes. Atualmente, é Diretora de Investimentos da Secretaria Nacional de Aviação Civil, no Ministério de Portos e Aeroportos. Nascida e residente em Brasília, é servidora pública federal desde 2010 e especialista em Gestão, Governança e Setor Público. Antes, atuou como Assessora Especial da Presidência na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e foi Subsecretária de Supervisão e Estratégia no Ministério da Economia.

Quando pedi um perfil resumido, ela começou com um gesto bonito e revelador: “Mãe da Giovana e…”. Luiza equilibra a maternidade com a vida profissional — tarefa nada simples. Mas ela tem dado conta: “Giovana está com 14 anos, em plena adolescência. O desafio hoje é que os jovens transitam por ambientes que desconhecemos. Procuro sempre separar um tempo para estarmos juntas, longe do celular, conversando. Felizmente, ela é uma menina doce e tranquila. E eu tenho a sorte de contar com uma rede de apoio formada por minha mãe e minhas tias, que moram perto. As lideranças femininas precisam desse suporte para exercerem a maternidade com mais segurança no ambiente de trabalho.”

Formada em Letras e Tradução pela Universidade de Brasília, Luiza pensou em ser dubladora de cinema, mas os caminhos mudaram. Ex-bailarina, trouxe da dança a disciplina para o cotidiano e um lema pessoal: “Se o trabalho está fácil demais, é porque você não está fazendo direito”. Ela acredita que o trabalho a fez “ganhar o mundo” de muitas formas: “Viajei bastante, sempre para lugares diferentes. Tenho um traço de buscar organização e segurança, mas não tenho dificuldade em mudar ou assumir novos desafios”.

Na Diretoria de Investimentos, sua atuação está voltada ao investimento público em mais de 500 aeroportos regionais não concessionados. “Os desafios são muitos, mas o maior deles é democratizar de fato a aviação no Brasil. Temos um mercado interno enorme que poderia ter uma demanda bem maior, mas ainda não conseguimos chegar lá. Questões como o marco regulatório, o preço dos combustíveis e outros fatores ainda impedem que a aviação seja verdadeiramente acessível. Muitas regiões do país ainda dependem exclusivamente do modal rodoviário.”

Hoje, seu principal projeto é o Prêmio Aviação + Brasil, promovido há dez anos pela Secretaria Nacional de Aviação Civil. “É um reconhecimento à qualidade dos serviços prestados pelo setor. Celebramos a excelência dos aeroportos que mais se destacaram ao longo do ano, com base em indicadores claros, como a pontualidade e o atendimento ao público, avaliados por meio de uma pesquisa rigorosa. O evento será realizado em parceria com o Brasil Export no dia 27 de maio, no Villa Brisa, em Brasília. Queremos afirmar nosso compromisso com uma aviação eficiente, acolhedora e inclusiva, que contribua para a economia e a geração de empregos. Vai ser uma grande festa, vamos voar alto!”, brinca.

A expectativa é receber autoridades dos três poderes, representantes de companhias aéreas, concessionárias e empresas de serviços auxiliares nos aeroportos. A premiação contempla desde os aeroportos regionais até as companhias aéreas mais pontuais. A grande novidade deste ano é a categoria voltada a iniciativas inovadoras de acessibilidade, em parceria com a ANAC.

Fora do trabalho, os planos continuam. Luiza quer cursar Direito e, quem sabe, viver no exterior. Mas a prioridade é clara: a família. “É de onde tiro forças e esperanças, é o que sou e para onde vou. Estar presente para manter o contato com quem amo é essencial. Aqueles que se foram deixaram legados. Eu preciso construir minhas memórias para continuar essa história.”

Conquistar um espaço de liderança no setor, para ela, é uma vitória que fortalece: “Conquistei esse lugar e quero ajudar outras mulheres a conquistarem também. Uma puxa a outra — queremos transformar o antigo clube do Bolinha no clube da Luluzinha. Ainda é um espaço muito masculino, e às vezes percebo olhares estranhos quando falo sobre obras, por exemplo. Muitos homens têm dificuldade de reconhecer lideranças femininas. É algo cultural. Mas seguimos, tirando uma pedrinha por vez do caminho…”

Recentemente, voltou a jogar tênis, mas o programa preferido é viajar com a família e a trabalho. “Conheci lugares muito especiais e tive a oportunidade de ver o Brasil de perto — especialmente a Amazônia, quando trabalhei com a Zona Franca de Manaus. Israel foi uma das melhores surpresas. E quero continuar viajando. Fico muito satisfeita de ter realizado esse desejo antigo, que nasceu ainda quando era uma menina.”

 

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