Transportes
Operadores logísticos movimentam R$ 247 bilhões e ampliam atuação
Setor reúne cerca de 1,5 mil empresas e responde por 20% dos gastos brasileiros com transporte e armazenagem
Os operadores logísticos movimentaram R$ 247 bilhões em 2025, o equivalente a 20% dos gastos nacionais com transporte e armazenagem, e ampliaram a presença em operações multimodais no Brasil. Pela primeira vez, o Perfil dos Operadores Logísticos no Brasil identificou que 31% das empresas oferecem serviços envolvendo mais de um modal, enquanto 20% das cargas processadas passam por dois ou mais meios de transporte.
Os dados fazem parte da edição 2026 do levantamento elaborado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) a pedido da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL). O estudo é realizado a cada dois anos e acompanha indicadores de faturamento, emprego, investimentos, abrangência territorial, serviços e desafios enfrentados pelo setor.
O segmento reúne atualmente cerca de 1,5 mil operadores logísticos, com média de 32 anos de atuação no país. O faturamento cresceu 18% em relação à edição anterior. As empresas também são responsáveis por aproximadamente 2,8 milhões de empregos diretos e indiretos e por R$ 57 bilhões em tributos e encargos.
Multimodalidade avança, mas ainda é concentrada
A pesquisa aponta que a multimodalidade ainda tem espaço para crescer. Em média, 31% dos operadores oferecem esse tipo de solução. A participação aumenta conforme o porte da empresa, chegando a 44% entre os grandes operadores, ante 29% dos médios e 19% dos pequenos.
Na perspectiva da carga, entretanto, a maior parte das operações continua concentrada em um único modal: 80% das cargas movimentadas passam por apenas um modal, 17% por dois e 3% por três ou mais.
O transporte rodoviário aparece em 94% das operações, seguido pelo aéreo nacional, com 21%, aéreo internacional, com 8%, marítimo internacional e cabotagem, ambos com 7%, ferroviário, com 5%, e hidroviário, com 3%.
A habilitação regulatória também não significa necessariamente operação multimodal. Segundo o levantamento, 38% dos operadores possuem habilitação como Operador de Transporte Multimodal (OTM) emitida pela ANTT, mas 21% ainda não utilizam efetivamente mais de uma modalidade.
A expansão da multimodalidade encontra limitações principalmente na infraestrutura física, na disponibilidade de rotas e na integração entre os sistemas. Ferrovias e hidrovias receberam as menores avaliações dos operadores, com notas médias de 3,2 e 3,4, respectivamente, em uma escala de zero a dez.
Nos terminais, as dificuldades variam de acordo com o modal. Barreiras regulatórias aparecem entre os principais problemas nas estruturas aéreas, portuárias e alfandegárias. Já nos terminais ferroviários e hidroviários, a baixa disponibilidade das estruturas é apontada como principal gargalo.
Para a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha, o resultado mostra que a discussão sobre infraestrutura precisa considerar a integração entre os diferentes meios de transporte.
“O Brasil ainda pensa muito em modais e pouco em logística integrada. Os dados mostram que precisamos mudar essa lógica”, afirmou.
Segundo Marcella, a conexão entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos é necessária para que os ganhos de produtividade associados à multimodalidade sejam efetivamente alcançados.
“Não basta ter rodovia, ferrovia, hidrovia, porto e aeroporto, é preciso que essas infraestruturas se conectem de forma eficiente”, conclui.