Sudeste Export
Painel debate os caminhos para a descarbonização do setor portuário
Eletrificação, combustíveis sustentáveis, otimização das operações e governanças foram apontados durante o Latam Export
O segundo painel do Latam Export, exposto nesta quinta-feira (3), no Rio de Janeiro, detalhou os projetos e iniciativas voltadas para a descarbonização do setor portuário e marítimo.
A gerente de Sustentabilidade do Porto do Itaqui (MA), Luane Lemos Agostinho apontou os caminhos para a meta de carbono zero. De acordo com a executiva, alcançar este objetivo no setor portuário envolve um caminho que passa por eletrificação das operações, substituição de combustíveis, otimização das operações e governança.
“Se fala muito em eletrificar para descarbonizar, mas isso tem um background que precisa de infraestrutura, de oferta de energia, e tudo isso é custo. Estive em Roterdã recentemente e na Europa se discute a transição, mas muito se fala sobre os minerais críticos. Não há como entrar nessa discussão sem debater onde encontrar minerais essenciais para fazer uma tecnologia envolvida na eletricidade”, pontuou.

Painel apontou soluções e iniciativas voltadas para meta de carbono zero em cinco anos. Foto: Grupo Brasil Export
Sobre o tema combustível, a gerente destacou a presença do hidrogênio, que possui grande potencial como um combustível sustentável dentro da navegação e gera interesse de grandes players europeus, que inclusive buscam áreas no território brasileiro para produção do produto. “Holandeses, espanhóis, alemães, todos estão interessados em áreas de produção de hidrogênio”, comentou.
Um dos itens colocados por Luane tem a ver com inovação e otimização dos sistemas que tratam de iniciativas dos portos que contribuem também com o plano de descarbonização, e um dos exemplos vem justamente do Porto do Itaqui: o ‘just in time’.
“Estamos falando em sistemas de mapeamento para definir a hora exata de um navio chegar e não precisar ficar fundeado aguardando liberação para atracar. O Porto do Itaqui emite, em média, 87 mil toneladas de carbono por ano. Se incluir o fundeio dos navios sobre para 189 mil toneladas. Ou seja, diminuir tempo é uma forma, sim, para descarbonizar”, explicou.
Participaram do painel como debatedoras Jussara Neto, diretora de Sustentabilidade da PortGreen Consulting; e Gabriela Schrank, Gerente Geral de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Transpetro. A moderação foi de Juliane de Castro Carneiro, coordenadora de Inovação do Porto do Açu.