Centro-Oeste Export
Painel destaca entraves na logística regional do Centro-Oeste
Intermodalidade, obras paradas e impactos da reforma tributária foram citados no painel que encerrou o Fórum Centro-Oeste Export
A intermodalidade é peça-chave para o escoamento da produção no Centro-Oeste, mas ainda enfrenta obstáculos estruturais que impedem seu pleno desenvolvimento. Entre os principais entraves, estão a descontinuidade de projetos entre gestões, o subfinanciamento crônico das obras públicas e a burocracia que atravanca tanto iniciativas públicas quanto privadas. O tema foi discutido nesta sexta-feira (27), no último painel do Fórum Centro-Oeste Export 2025, em Rondonópolis (MT).
Danielle Silva Bernardes, gerente executiva governamental da Confederação Nacional do Transporte (CNT), destacou que o investimento federal em infraestrutura de transporte ainda é insuficiente e está sujeito a constantes contingenciamentos. “Mesmo os projetos estruturantes sofrem com falta de recursos ou paralisações. A gente precisa de continuidade e de uma política de Estado, não apenas de governo”, afirmou. Ela reforçou que, sem um planejamento de longo prazo, a intermodalidade continuará sendo apenas uma promessa.
O secretário-adjunto de Logística e Concessão do Mato Grosso, Caio Albuquerque, apresentou números sobre os investimentos estaduais em rodovias, como os R$ 5 bilhões aplicados em 2023 por meio do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab), que é mantido principalmente por contribuições do agronegócio e destinado a obras de infraestrutura e habitação.
Albuquerque alertou, no entanto, para os riscos trazidos pela reforma tributária, que deve extinguir os fundos estaduais vinculados ao ICMS. “Se esses recursos acabarem, como manter o nível de investimento atual? Estamos deixando mais de mil quilômetros de projetos prontos para a próxima gestão, mas é preciso garantir a continuidade”.
Também presente no debate, Denimárcio Borges, secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável de Rio Verde (GO), ressaltou a importância da combinação entre transporte rodoviário e ferroviário. Segundo ele, o município goiano teve um crescimento de 61% na geração de empregos no setor de transporte e armazenagem nos últimos cinco anos. “Isso mostra como a presença da ferrovia, combinada com boas estradas, transforma a economia local”.
Borges citou o investimento da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo) em uma nova planta de esmagamento de soja na cidade, como exemplo de como a intermodalidade estimula a industrialização.
A necessidade de reduzir a burocracia também foi debatido no painel. Albuquerque citou que as licenças para pavimentação de uma rodovia próximo a uma área de proteção ambiental podem levar anos. Danielle reforçou que iniciativas para desburocratizar o transporte interestadual são lançadas, mas raramente saem do papel. “Sem continuidade e prioridade, nada avança”, concluiu a a gerente executiva da CNT.
O painel foi moderado por Leopoldo Figueiredo, diretor-geral da Rede BE News, e marcou o encerramento do Fórum Centro-Oeste Export 2025. Agora, o Grupo Brasil Export se prepara para o Mercosul Export, que será realizado nos dias 17 e 18 de julho, em Assunção, no Paraguai. A programação inclui uma visita técnica ao Puerto Unión, principal porto do país, e um fórum internacional sobre logística, infraestrutura e transportes.