Transportes
Paralisação da dragagem do Tapajós ameaça escoamento de grãos
Interrupção das obras pode impedir o transporte de até 5 milhões de toneladas e gerar custo adicional de R$ 850 milhões ao setor agrícola
A interrupção da dragagem do rio Tapajós pelo Governo Federal pode comprometer o escoamento de grãos do Centro-Oeste pelos portos do Arco Norte e elevar os custos logísticos do setor agrícola. A estimativa é de que até 5 milhões de toneladas deixem de ser transportadas caso a obra permaneça paralisada. O impacto financeiro pode chegar a R$ 850 milhões, segundo estimativas da MoveInfra.
O alerta foi feito pelo CEO da Cargill Brasil, Paulo Sousa, que destacou os riscos para a competitividade do transporte hidroviário diante da redução dos níveis dos rios e da possibilidade de um El Niño mais intenso.
“Sem a dragagem, a competitividade das hidrovias está ameaçada”, afirmou Sousa. Segundo o executivo, a situação pode se agravar caso as condições climáticas provoquem novas restrições à navegação nos rios Tapajós e Madeira, importantes corredores para o transporte da produção agrícola do Centro-Oeste.
Sousa demonstrou preocupação com a repetição de um cenário registrado dois ou três anos atrás, quando as condições dos rios chegaram a provocar a paralisação da navegação por hidrovia. Atualmente, o transporte segue ocorrendo, mas a perspectiva de uma estiagem mais severa aumenta a pressão sobre a infraestrutura hidroviária.
Além dos impactos sobre a capacidade de transporte, o executivo chamou atenção para os conflitos relacionados às intervenções necessárias nos rios. Ele citou a ocupação de um terminal da Cargill por comunidades indígenas que protestavam contra a dragagem na Bacia Amazônica.
Na avaliação de Sousa, o episódio reforça a necessidade de ampliar o diálogo entre empresas, governo e comunidades afetadas pelos projetos de infraestrutura hidroviária, de forma a conciliar a manutenção da navegabilidade com as demandas ambientais e sociais.
No mesmo evento, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que o governo ainda precisa ampliar os estudos para estruturar o desenvolvimento das hidrovias brasileiras. Segundo ele, o país precisa corrigir problemas históricos de planejamento e organização na implantação dessa infraestrutura, com uma estratégia mais estruturada para definir investimentos e prioridades.