Portos
Parceria entre Santos e porto chinês busca reduzir gargalos nas exportações
Acordo aposta em operações offshore, troca de tecnologia e melhorias estruturais para aumentar a eficiência logística entre Brasil e China
Uma parceria inédita entre o Porto de Santos e o Porto de Ningbo Zhoushan, na China — um dos maiores do mundo — pode abrir caminho para uma mudança importante na forma como o Brasil exporta grãos. O memorando de entendimentos firmado entre as duas autoridades portuárias prevê o desenvolvimento de soluções logísticas para reduzir gargalos históricos e aumentar a competitividade das exportações brasileiras, especialmente de soja.
O acordo, assinado no último dia 20, tem como foco principal a criação de uma estratégia híbrida de carregamento. Na prática, isso significa combinar diferentes operações para permitir que navios maiores, hoje impedidos de operar plenamente em Santos, passem a ser utilizados com mais eficiência.
Atualmente, o porto santista recebe navios graneleiros com capacidade de até cerca de 80 mil toneladas. A proposta é avançar para operações com embarcações do tipo Capesize, que transportam mais de 150 mil toneladas. Como esses navios não conseguem ser totalmente carregados no cais, a alternativa estudada é o chamado carregamento offshore, onde a carga é transferida em alto-mar para os gigantes do transporte marítimo.
Esse modelo — já utilizado em outros países — pode reduzir custos de frete, aumentar a escala das exportações e dar mais agilidade à operação. Além do carregamento offshore, o projeto também inclui práticas como o lightering (transferência de carga entre embarcações) e outras soluções logísticas consolidadas internacionalmente.
Para que isso se torne viável, o acordo prevê uma série de estudos técnicos conjuntos. Entre eles, a análise das limitações atuais do Porto de Santos — sejam operacionais, estruturais ou regulatórias — e a definição das intervenções necessárias para ampliar sua capacidade. Entram nesse pacote temas como dragagem, reforço de berços de atracação, melhorias nos sistemas de carregamento e adequações na navegação.
Outro eixo importante da parceria é a troca de conhecimento. O Porto de Ningbo Zhoushan, referência global em movimentação de cargas, ficará responsável por compartilhar sua experiência em operações com navios de grande porte. Já a Autoridade Portuária de Santos (APS) coordenará os estudos e o desenvolvimento das soluções no Brasil. A expectativa é que equipes técnicas brasileiras também visitem a China para aprofundar essa cooperação.
O memorando também amplia o escopo do projeto ao prever a participação de armadores, exportadores, empresas de engenharia e órgãos públicos. A ideia é construir uma solução integrada, capaz de alinhar interesses logísticos, econômicos e regulatórios.
Acordo de longo prazo
Assinado em 20 de julho, o memorando terá validade inicial de três anos, podendo ser prorrogado. Para garantir que as propostas avancem, será criado um grupo bilateral responsável por acompanhar a execução das ações, organizar reuniões periódicas e estruturar um plano com metas e cronogramas.