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Aviação

Perito aponta principais linhas de investigação para colisão entre helicópteros

1 de July de 2026 às 16:34
Júnior Batista Enviar e-mail para o Autor

O acidente ocorreu na manhã de 14 de junho, quando dois helicópteros colidiram em pleno voo sobre o bairro do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio

A colisão entre dois helicópteros registrada no Rio de Janeiro deverá ser investigada a partir de uma série de aspectos técnicos relacionados às condições operacionais do voo, às regras de navegação aérea e à situação das aeronaves envolvidas. A avaliação é do perito aeronáutico Daniel Calazans, que defende cautela diante das primeiras análises públicas e afirma que ainda não há elementos suficientes para apontar causas ou responsabilidades pelo acidente.

O acidente ocorreu na manhã de 14 de junho, quando dois helicópteros colidiram em pleno voo sobre o bairro do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, e caíram no estacionamento de uma concessionária de veículos, provocando um incêndio. As seis pessoas que estavam a bordo morreram, entre elas os pilotos das duas aeronaves, o cantor norte-americano Oliver Tree, o influenciador argentino Gaspar Prim (Gaspi), o cineasta argentino Lucas Vignale e o produtor musical brasileiro Lucas Brito Chaves. O caso passou a ser investigado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

Segundo o especialista, a investigação deverá seguir diferentes linhas de apuração, abrangendo tanto fatores ligados ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) quanto aspectos regulatórios fiscalizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Entre os primeiros pontos a serem verificados está o cumprimento das regras das Rotas Especiais de Helicópteros (REH), utilizadas para organizar o tráfego dessas aeronaves em áreas urbanas. “A análise deverá verificar se os helicópteros voavam dentro dos parâmetros previstos para altitude, velocidade, direção e demais procedimentos estabelecidos para esse tipo de operação”, diz ele.

Outro aspecto considerado fundamental é a avaliação das condições meteorológicas no momento da colisão. “Como, em princípio, as aeronaves operavam sob regras de voo visual (VFR), será necessário confirmar se havia visibilidade suficiente para que os pilotos identificassem um ao outro e realizassem a separação visual exigida nesse tipo de operação”, explica.

Calazans ressalta que fatores como luminosidade, cobertura de nuvens e alcance visual podem influenciar significativamente a percepção dos pilotos, mesmo quando as condições meteorológicas atendem aos mínimos previstos pela regulamentação.

A investigação também deverá examinar os equipamentos eletrônicos instalados nas aeronaves, incluindo transponder e eventuais sistemas de prevenção de colisão. O especialista explica que, independentemente de determinados equipamentos serem obrigatórios ou não para aquele tipo de operação, será preciso verificar se estavam instalados, em funcionamento e se atendiam às exigências aplicáveis ao voo realizado.

Na avaliação do perito, a análise técnica deverá identificar ainda se as aeronaves estavam sujeitas ao controle direto do tráfego aéreo ou se operavam em espaço aéreo não controlado. Nesse último caso, a responsabilidade pela separação entre aeronaves recai sobre os próprios pilotos, que devem manter vigilância visual constante e realizar comunicação em frequência específica para informar posição, altitude, rumo e intenção de voo.

A troca de informações por rádio também deverá integrar a apuração. Os investigadores deverão verificar se ambas as aeronaves utilizavam a frequência prevista para aquele espaço aéreo e se houve comunicação adequada entre os pilotos antes da colisão.

Sob a ótica regulatória, a investigação deverá analisar a situação documental das aeronaves e das tripulações. Entre os itens previstos estão a validade dos certificados de aeronavegabilidade, o histórico de manutenção preventiva e corretiva, a conformidade dos equipamentos obrigatórios e a regularidade das habilitações e certificações dos pilotos.

“Outro ponto que poderá ser examinado é o enquadramento operacional do voo. Caso tenha ocorrido transporte remunerado de passageiros, os investigadores deverão verificar se a operação estava sendo realizada dentro das regras aplicáveis ao serviço de táxi aéreo, conforme os regulamentos da Anac, ou se havia eventual incompatibilidade entre a atividade desenvolvida e a certificação da aeronave”, diz.

Calazans destaca que todas essas análises fazem parte do processo normal de uma investigação aeronáutica e reforça que qualquer conclusão antecipada pode comprometer a compreensão técnica do acidente.

O perito lembra ainda que, no Brasil, a investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), voltada à prevenção de novos acidentes, não impede a realização de apurações paralelas pelas autoridades policiais e judiciais quando houver necessidade de avaliar eventuais responsabilidades civis ou penais.

Para o especialista, a prioridade neste momento é reunir dados técnicos, analisar evidências e reconstruir a dinâmica da ocorrência antes de qualquer conclusão. “Uma investigação séria começa com perguntas, não com respostas prontas”, resume.

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TAGS Acidente Aéreo Aviação Helicópteros rio de janeiro
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