Petróleo e Gás
Petrobras aposta em gás, SAF e logística em novo ciclo de investimentos
Plano da estatal prevê ampliação da Rota 1, projetos de energia renovável, conexão de poços e reforço operacional no Porto de Santos
A Petrobras detalhou nesta sexta-feira (15) um pacote de R$ 37 bilhões em investimentos no estado de São Paulo entre 2026 e 2030, com projetos voltados às áreas de exploração e produção, refino, gás e energia, biocombustíveis e logística. Além dos aportes já anunciados para a Refinaria de Paulínia (Replan), a estatal prevê uma série de iniciativas para ampliar capacidade operacional, fortalecer infraestrutura e avançar em projetos ligados à transição energética.
No segmento de refino, o pacote soma R$ 17 bilhões. A Replan, em Paulínia, concentra parte dos investimentos e terá aumento de 5% de capacidade até 2027, o equivalente a cerca de 25 mil barris adicionais por dia. Segundo o gerente de Refino da Petrobras, Daniel Violatti, as obras já começaram e devem avançar junto à parada programada de manutenção da unidade prevista para o próximo ano.
A refinaria é a maior entre as dez unidades de refino da Petrobras e responde por cerca de 20% da capacidade de processamento do País, com 434 mil barris por dia. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a unidade representa aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
A companhia também vai ampliar os projetos ligados à produção de combustíveis renováveis. Entre eles está a implantação de uma unidade de Alcohol-to-Jet (AtJ), tecnologia voltada à fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF) a partir do etanol. De acordo com Violatti, a Petrobras pretende iniciar até dezembro de 2026 a produção inicial de SAF na Replan por meio de coprocessamento de óleo.
Segundo o executivo, o projeto do AtJ já está em fase de desenvolvimento básico e a expectativa é lançar a licitação das obras no próximo ano.
Outro projeto previsto para Paulínia é a implantação da maior usina solar fotovoltaica entre as refinarias da Petrobras. A unidade terá capacidade de 20 megawatts, investimento estimado em R$ 100 milhões e entrada em operação prevista para o fim deste ano.
Na área de gás e energia, os investimentos chegarão a R$ 3 bilhões no período. Os recursos serão destinados, entre outros projetos, à ampliação da capacidade de escoamento da Rota 1 e ao aumento do processamento de gás natural.
A estatal também pretende reforçar a infraestrutura logística no litoral paulista, com investimentos no Porto de Santos. A companhia considera o terminal estratégico para operações de apoio e escoamento de derivados.
No segmento de exploração e produção, os investimentos previstos somam R$ 9 bilhões entre 2026 e 2030. Os recursos serão direcionados à otimização de projetos, aumento da injeção de água em reservatórios para elevar a recuperação de petróleo e conexão de novos poços a plataformas já existentes.
Entre os ativos contemplados estão os campos de Sapinhoá e Mexilhão, na Bacia de Santos. Segundo Magda Chambriard, os investimentos também ajudaram a ampliar em 10% a produção nacional de diesel S-10 após intervenções recentes realizadas na Replan.
Atualmente, a refinaria produz cerca de 24 milhões de litros diários do combustível, volume suficiente para abastecer aproximadamente 80 mil ônibus por dia. Segundo a executiva, a expansão permitiu reduzir a dependência brasileira de diesel importado em um cenário internacional de preços elevados.