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PF indicia presidente e diretor da ANM por suspeita de corrupção
Mauro Henrique Moreira Sousa e Caio Trivelatto estão entre mais de 40 indiciados nas operações Rejeito e Parcours, que apuram corrupção, tráfico de influência e exploração mineral irregular
A Polícia Federal indiciou o presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, e o diretor da autarquia Caio Trivelatto por suspeita de corrupção, em investigações sobre irregularidades no setor de mineração em Minas Gerais. Ao todo, mais de 40 pessoas foram indiciadas nas operações Rejeito e Parcours, que apuram crimes relacionados à exploração mineral e à atuação de agentes públicos.
Sousa foi indiciado na Operação Parcours por suspeita de manter relação incompatível com o cargo, ao atuar em favor do empresário Luis Fernando Franceschini. Segundo a PF, mensagens obtidas durante a investigação apontam encontros, tratativas e acompanhamento de assuntos internos da agência reguladora.Já Trivelatto foi indiciado na Operação Rejeito por suspeita de ter favorecido empresas ligadas ao empresário Alan Cavalcante em disputas minerárias, influenciando decisões administrativas e normativas da ANM.
Entre os empresários indiciados, estão Alan Cavalcante e Lucas Kallas, apontados pela investigação como participantes de esquema de exploração mineral irregular na Serra do Curral. As suspeitas incluem crimes ambientais, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência. Cavalcante não comentou o caso; a defesa de Kallas afirmou que o empresário é inocente e que os fatos já haviam sido analisados anteriormente.
A ANM informou que Sousa não tinha conhecimento do indiciamento quando foi procurado e não se manifestaria.
O indiciamento do presidente da ANM aumenta a pressão política sobre o Ministério de Minas e Energia, ao qual a agência é vinculada. Sousa foi indicado para o cargo durante a gestão do ministro Alexandre Silveira, que acumula outros focos de desgaste. O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada apresentada à PF e à PGR, ter realizado suposto repasse de R$ 20 milhões em caixa dois para a campanha de Silveira ao Senado em 2022. Mas investigadores consideraram insuficientes os elementos apresentados na primeira versão da proposta, que segue em análise. O ministro nega as acusações.